Normalmente, capital vota contra governo

As eleições municipais de Buenos Aires não devem servir de parâmetro para a sucessão presidencial de outubro na Argentina. As características peculiares do eleitorado portenho, para muitos analistas, dão o clima, mas não antecipam o resultado nacional.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2011 | 00h00

Os eleitores de Buenos Aires votam de uma maneira bastante volátil, independente e refratária aos governos federais. O governo da presidente Cristina Kirchner aposta nessa volatilidade para levar a eleição para o segundo turno e impor um duro golpe à oposição.

Desde 1992, quando o governo de Carlos Menem estava em seu apogeu de popularidade, o peronismo não elege o prefeito da capital. "Buenos Aires é uma cidade muito esquisita", diz o diretor da empresa de pesquisa de opinião Ceop, Roberto Bacman. De acordo com ele, no entanto, o clientelismo - frequente nas províncias do interior, onde o kirchnerismo é forte -, não tem peso significativo na cidade.

Sobre essa imprevisibilidade eleitoral dos portenhos, Joaquín Morales Sola, importante colunista político do jornal La Nación, lembra que, em 1996 e em 1999, os portenhos concederam a Fernando de la Rúa amplas vitórias nas respectivas eleições para a prefeitura e para a presidência. No entanto, foram os próprios portenhos que, em 2001, com os panelaços e protestos nas ruas, provocaram a queda do presidente.

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