Fazry Ismail/EFE
Fazry Ismail/EFE

Norte-coreano suspeito de envolvimento em morte de Kim Jong-nam é libertado e deportado

Suspeitas contra Ri Jong Chol não justificavam uma acusação, segundo procurador-geral; Kuala Lumpur condenou o uso de armas químicas 'sob qualquer circunstância'

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 01h50

KUALA LUMPUR - O único norte-coreano detido no marco das investigações do assassinato de Kim Jong-nam, meio-irmão do ditador da Coreia do Norte, Kim Kong-un, foi libertado e deportado nesta sexta-feira, 3, enquanto cresce a tensão entre o país e a Malásia em razão do crime. 

As suspeitas contra Ri Jong Chol, de 47 anos, não justificavam uma acusação, segundo havia explicado na quinta-feira 2 o procurador-geral da Malásia, Mohamed Apandi Ali. De acordo com a polícia, o visto temporário dele expirou no dia 6 de fevereiro, dias antes da morte por envenenamento de Kim.

O norte-coreano foi detido pouco depois do assassinato do meio-irmão de Kim Jong-un no dia 13 de fevereiro no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, onde foi envenenado com um agente neurotóxico.

A polícia quer interrogar outros seis norte-coreanos, incluindo um diplomata da embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumpur e um funcionário de uma empresa aérea, que se encontrariam na Malásia. Outros quatro suspeitos fugiram no dia do assassinato.

A Coreia do Norte tem criticado veementemente a investigação das autoridades malaias, as quais acusa de estarem aliadas com a Coreia do Sul. Além disso, Pyongyang não aceitou as conclusões da autópsia e sustenta a tesde de que Kim morreu após uma crise cardíaca.

As tensões diplomáticas entre os países se agravam a cada dia. Na quinta-feira, Kuala Lumpur anunciou a anulação, a partir de 6 de março, de um acordo de isenção de vistos que mantinha com Pyongyang. 

Condenação. Também nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Malásia condenou o uso de armas químicas contra "qualquer um, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância". "A Malásia não produz, estoca, importa, exporta ou usa qualquer arma tóxica, incluindo o agente VX", informou o comunicado.

A Malásia continua investigando como foi introduzido no país o agente nervoso VX. Apesar da suspeita da Coreia do Sul de que a arma química entrou em Kuala Lumpur por meio de uma trama elaborada por Pyongyang, o governo malaio está bastante cauteloso em relação a qualquer acusação. "Se foi uma quantidade muito pequena, será difícil de detectar (a origem)", disse recentemente o chefe policial, Khalid Abu Bakar. / AFP e REUTERS

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