AP
AP

Norte-coreanos chegam a Seul para homenagear sul-coreano

Viagem pela morte do ex-presidente Kim Dae-jung é novo sinal de aproximação entre as duas Coreias

Reuters e Efe,

21 de agosto de 2009 | 09h23

As autoridades norte-coreanas enviadas pelo líder Kim Jong-il chegaram à Coreia do Sul nesta sexta-feira, 21, para homenagear o ex-presidente Kim Dae-jung em uma ação que pode sinalizar um aquecimento dos laços entre os dois países rivais. Mas, em um indício do descontentamento da Coreia do Norte com as políticas conservadoras do atual presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, os enviados de Pyongyang deixarão o Sul no sábado, antes do funeral de Estado, para não comparecer a qualquer evento oficial do governo de Seul.

 

A primeira expedição de enviados norte-coreanos ao Sul nos últimos dois anos ocorre após diversas ações do Norte neste mês para reduzir as tensões depois de conduzir um teste nuclear, lançar mísseis balísticos e ameaçar atacar seu vizinho capitalista do sul em maio.

 

As seis autoridades da Coreia do Norte chegaram de avião. Os enviados foram ao memorial feito ao ex-presidente e levaram uma coroa de flores enviada por Kim Jong-il e assinada: "Em memória ao ex-presidente Kim Dae-jung". Eles encontraram com a família de Kim e com antigos assessores do ex-líder da Coreia do Sul, mas não houve menção se eles poderiam encontrar as atuais autoridades do governo sul-coreano.

 

Kim foi o símbolo da luta pela democracia na Coreia do Sul e representava o sonho da reunificação com a Coreia do Norte. Filho de camponeses, católico, foi preso várias vezes pelos militares sul-coreanos e chegou a viver exilado no Japão e nos EUA. De volta à Coreia do Sul, nos anos 90, fundou um novo partido político e se tornou presidente, em 1997.

 

Em 2000, Kim visitou Pyongyang e se encontrou com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, na primeira reunião de cúpula entre as duas Coreias. O encontro levou a um relaxamento sem precedentes nas tensões entre os dois países. A política de aproximação foi batizada de "Sunshine Policy". Graças a ela, as duas Coreias construíram rodovias, ferrovias e um parque industrial em conjunto. Kim deixou o cargo em 2003, frustrado com o fracasso de sua política externa.

 

Fronteira aberta

 

Ainda nesta sexta, o regime de Pyongyang normalizou a passagem de trabalhadores sul-coreanos e o tráfego ferroviário na fronteira, limitado desde dezembro, em coincidência com a visita da missão norte-coreana, que é presidida por Kim Ki-nam, secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores. A abertura está de acordo com o compromisso de Pyongyang de retomar os projetos econômicos conjuntos.

 

Em 1º de dezembro, Pyongyang decidiu restringir a passagem de sul-coreanos e suspender a linha ferroviária intercoreana inaugurada um ano antes, em protesto contra a política conservadora do presidente Lee Myung-bak.

 

Programa nuclear

 

A agência de notícias da China Xinhua informou que o chefe nuclear do país, Wu Dawei, visitou o recluso Norte na primeira viagem de alto nível à Pyongyang desde que as discussões sobre o desarmamento da Coreia do Norte foram interrompidas cerca de um ano atrás. A Xinhua disse que Wu encontrou com seu correspondente norte-coreano, mas não houve informações sobre se ele encontrou com o líder Kim Jong-il durante seus cinco dias de estada.

 

A China, o aliado mais próximo da Coreia do Norte, apoiou a resolução da ONU condenando o governo norte-coreano devido ao teste nuclear de 25 de maio e aumentando as sanções contra o país, mas tem sido relutante em pressionar por mais ações.

Tudo o que sabemos sobre:
Coreia do NorteCoreia do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.