Norte-coreanos matam 4 chineses na fronteira

Guardas abrem fogo contra supostos contrabandistas do país vizinho; ação causa incidente diplomático entre os aliados Pequim e Pyongyang

Nyt, Reuters e Afp, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2010 | 00h00

PEQUIM

O ministério de Relações Exteriores da China informou ontem que guardas de fronteira norte-coreanos mataram a tiros quatro chineses na semana passada. A ação enfureceu Pequim, único grande aliado da Coreia do Norte. A chancelaria chinesa fez uma reclamação formal a Pyongyang, que prometeu investigar o caso.

"Na manhã do dia 4 , tropas de defesa na fronteira norte-coreana atiraram contra alguns cidadãos de Dandong, na Província de Liaoning, por serem suspeitos de cruzar ilegalmente a fronteira para comercializar", disse o porta-voz da chancelaria, Qin Gang.

Pyongyang mantém um forte aparato militar na fronteira sul, onde troca de tiros são comuns. Mas no norte ataques contra cidadãos chineses são raros. A fronteira é considerada tranquila e tem um constante fluxo comercial, boa parte ilegal.

Pequim tolera o contrabando por temer que um colapso do regime norte-coreano tenha um impacto do seu lado da fronteira. Se a Coreia do Norte desaparecer, o temor é o de que tropas sul-coreanas ou americanas seriam posicionadas na região.

Os dois países têm mantido uma aliança estratégica e raramente a China critica publicamente a Coreia do Norte. Contudo, a tensão na região aumentou após o afundamento do navio sul-coreano Cheonan, que deixou 46 marinheiros mortos. Seul acusa Pyongyang de ter torpedeado o navio e pede sanções ao governo norte-coreano no Conselho de Segurança da ONU.

Troca de guarda. Vários analistas afirmaram ontem que a sucessão do líder norte-coreano, Kim Jong-il, por seu filho caçula, Kim Jong-un, parece ter sido confirmada pelas importantes mudanças realizadas na segunda-feira em postos-chave do governo.

Em uma sessão do Parlamento, Kim Jong-il promoveu seu cunhado, Jang Song-thaek, ao cargo de número 2 da poderosa Comissão Nacional de Defesa. Jang é tido como o mentor de Kim Jong-un.

Segundo analistas, a nomeação do cunhado levanta novas suspeitas de que Kim Jong-il, de 68 anos e saúde frágil, está preparando a sucessão e abrindo caminho para o filho de 27 anos.

"A promoção de Jang é uma forma de acelerar a sucessão dentro da dinastia", afirmou Kim Yong-hyun, professor da Universidade Dongguk, de Seul

"A ascensão de Jang mostra que a Coreia do Norte está finalizando a transferência de poder de pai para filho", disse Paik Haksoon, do Instituto Sejong, também de Seul. Ele disse acreditar que o anúncio oficial sobre a nomeação do caçula possa ser feito em 2012. /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.