Jan Bjerkeli/AFP
Jan Bjerkeli/AFP

Noruega busca razões para massacre e eleva número de mortos para 92

Polícia acusa formalmente o fundamentalista cristão Anders Behring Breivik pela explosão que matou 7 em Oslo e pelo assassinato de 85 pessoas na Ilha de Utoya, mas ainda não sabe se ele agiu sozinho ou se faz parte de uma conspiração de extrema direita

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

Em choque, os noruegueses contavam ontem as vítimas do pior atentado da história do país, enquanto a polícia tentava entender as razões que levaram o fundamentalista cristão Anders Behring Breivik a cometer o massacre. Cerca de 45 jovens estão desaparecidos e pelo menos 30 seguem internados em hospitais da região. O total de mortos nos dois ataques subiu ontem para 92.

A extensão do massacre está sendo revelada a conta-gotas. Investigadores já sabem que Breivik, de 32 anos, chegou ao acampamento na Ilha de Utoya vestido com uniforme policial e, gentilmente, pediu para que os jovens reunidos no local chegassem mais perto dele.

Alguns adolescentes estranharam o fato de o policial estar armado - o que não é comum na Noruega. Mas, quando um bom número de garotos já tinha se aproximado, era tarde demais. Breivik começou a atirar, usando uma pistola e um fuzil M-16.

Segundo testemunhas, ele demonstrou sangue frio, abatendo os jovens à queima-roupa. Quando caíam no chão, ele atirava uma segunda vez, na cabeça, para ter certeza de que a vítima não estava fingindo.

No momento em que o atirador começou a disparar, estavam no acampamento cerca de 700 jovens do Partido Trabalhista, o mesmo do premiê Jens Stoltenberg - que deveria discursar no local ontem. A maioria era de adolescentes de 14 e 18 anos.

Diante do horror, muitos jovens se lançaram no lago e tentaram nadar até a margem. Outros fugiram dos tiros pela floresta. "Primeiro ele atirou nas pessoas na ilha, depois passou a caçá-las na água", disse Elise, uma garota de 15 anos, que estava na ilha e não quis revelar seu sobrenome.

A polícia norueguesa confirmou que Breivik teve uma hora e meia para atirar indiscriminadamente, até que um grupo de elite chegasse à ilha e interrompesse a chacina. A polícia afirma que chegou ao local 40 minutos depois da primeira chamada de emergência. O assassino se entregou sem resistência.

Em seguida, o trabalho passou para as mãos das equipes de resgate, que tiveram trabalho para contar os corpos, já que muitos foram retirados do lago. Em Oslo, após horas de interrogatório e de obter a confissão de Breivik, a polícia o acusou formalmente pelos dois ataques, mas ainda não sabe se ele agiu sozinho ou se fazia parte de uma conspiração de extrema direita.

Um policial, que falou sob anonimato, disse que Breivik "parece ter agido sozinho em ambos os ataques". Investigadores acreditam que ele não tenha nenhuma ligação com o terrorismo internacional. "Parece o trabalho de um louco", afirmou. Segundo ele, os atentados de sexta-feira estão mais para um "Oklahoma da Noruega" do que um "11 de Setembro norueguês" - em referência ao ataque de 1995, em Oklahoma City, que deixou 168 mortos nos EUA.

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