Noruega lembra vítimas uma semana após ataques

Ao menos 77 pessoas morreram no atentado duplo promovido por um ativista da extrema-direita

Agência Estado

29 de julho de 2011 | 13h40

Sobreviventes dos ataques também compareceram à cerimônia

 

OSLO - A Noruega homenageou as 77 pessoas mortas em um atentado duplo ocorrido há uma semana e o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, pediu nesta sexta-feira, 29, que a nação se una ao redor dos valores centrais da democracia e da paz. Uma adolescente muçulmana de 18 anos foi a primeira pessoa a se enterrada, vítima do norueguês Anders Behring Breivik, que abriu fogo contra um acampamento da juventude do Partido Trabalhista e explodiu uma bomba perto de prédios do governo, no centro de Oslo.

 

 

Após um serviço religioso na igreja da cidade de Nesodden, nas proximidades da capital, Bano Rashid, uma imigrante curda do Iraque, foi enterrada numa cerimônia muçulmana. Jovens acompanharam o caixão, onde estava depositada uma bandeira curda. A polícia disse que todos os mortos nos ataques foram identificados.

 

"Hoje, faz uma semana desde que a Noruega foi atingida pelo mal", disse o primeiro-ministro Jens Stoltenberg durante o serviço memorial realizado no auditório da Casa do Povo, um centro comunitário do movimento trabalhista norueguês. Os tiros atingiram dezenas de membros da juventude do Partido Trabalhista, mas tinham como alvo toda a nação, afirmou Stoltenberg, no palco adornado com rosas vermelhas, o símbolo do partido.

 

"Eu acho que 22 de julho será um símbolo mais forte do desejo do povo norueguês de se unir em nossa luta contra a violência e será um símbolo de como um país pode responder com amor", disse ele aos jornalistas após a cerimônia.

 

O líder da juventude do Partido Trabalhista, Eskil Pedersen, que estava na ilha no momento do ataque, disse que a ação de Breivik "não vai destruir o comprometimento da Noruega com a democracia, tolerância e a luta contra o racismo". "Muito antes de ele (Breivik) comparecer perante um tribunal, podemos dizer: ele perdeu", declarou Pedersen. Ele prometeu que os jovens do partido retornarão à ilha de Utoya - onde os tiros foram disparados - no ano que vem para sua reunião anual de verão, uma tradição que já dura décadas.

 

Interrogatório

 

Breivik foi interrogado pela polícia nesta sexta-feira pela segunda vez desde que se rendeu a um esquadrão da polícia na sexta-feira da semana passada. O promotor de polícia Paal-Fredrik Hjort Kraby disse que o norueguês de 32 anos permaneceu calmo e cooperativo durante a sessão de interrogatório, durante a qual os investigadores o relembraram sobre suas declarações feitas no interrogatório de sábado.

 

Os investigadores acreditam que Breivik agiu sozinho, após anos de meticuloso planejamento, e não encontraram nenhuma informação sobre sua participação numa rede de militantes antimuçulmanos que planejaria uma série de golpes pela Europa.

 

A polícia disse também que identificou todas as vítimas mortas na ilha e as oito que morreram após a explosão de um carro no centro de Oslo. Breivik confessou os dois ataques, mas negou responsabilidade criminal, porque ele acredita que está em estado de guerra, disse seu advogado. As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.