Noruega ressalta que o Comitê Nobel é independente

Oslo responde a críticas da China sobre nomeação de dissidente como Nobel da Paz

Efe

08 de outubro de 2010 | 10h28

OSLO - O ministro de Assuntos Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Store, ressaltou nesta sexta-feira, 8, que o Comitê Nobel, que distinguiu o dissidente chinês Liu Xiaobo com o prêmio da Paz, é independente, e pediu à China que aceite as críticas que vêm de fora.

 

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"Dissemos todo o tempo que há uma clara linha entre um Comitê independente e o governo norueguês. Devem entender que assim funciona nossa sociedade", declarou à televisão pública NRK Store, que acrescentou que "a Noruega não tem que pedir perdão pelo trabalho do Comitê".

 

Store admitiu que não é nenhum "segredo" que Pequim pressionou várias vezes às autoridades norueguesas, a quem advertiu que a concessão do Nobel a Xiaobo ou a outro dissidente chinês teria consequências negativas para as relações entre ambos os países, mas considerou que uma resposta assim não tem fundamento. "Minha posição é que não há base para tomar medidas contra a Noruega como país, isso prejudicaria ainda mais o prestígio da China. Têm que deixar um espaço às críticas do exterior", assinalou.

 

Em comunicado, o primeiro-ministro norueguês, o trabalhista Jens Stoltenberg, destacou que com a escolha de Liu Xiaobo o Comitê Nobel quer chamar a atenção sobre a situação dos direitos humanos na China e ressaltar a vinculação entre desenvolvimento, democracia e direitos humanos universais.

 

A situação de Liu, que cumpre uma condenação de 11 anos de prisão, foi tratada pelo governo norueguês várias vezes em suas reuniões com autoridades chinesas, ressaltou o primeiro-ministro.

 

A China emitiu um comunicado logo após a nomeação de Liu reprovando a decisão do Instituto Nobel, dizendo que as atitudes do dissidente "são contrárias aos princípios do prêmio". A chancelaria chinesa chamou a premiação de "obscenidade" e a considerou "uma blasfêmia".

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