Noruegueses presenciam 1º casamento real em 33 anos

A plebéia e mãe solteira Mette-Marit Tjessem Hoiby casou-se hoje na catedral de Oslo com o príncipe Haakon Magnus, herdeiro da coroa da Noruega, em cerimônia presenciada por várias cabeças coroadas da Europa. Entre estas, o ex-rei Konstantin e a ex-rainha Anne Marie, da Grécia, a rainha Margrethe, da Dinamarca, e o príncipe Charles, da Grã-Bretanha.Mette-Marit, que nesta semana confessou, em prantos, ter tido um "passado agitado", acenou sorridente para os cerca de 120.000 súditos que tomaram as ruas da capital norueguesa para acompanhar o cortejo nupcial do castelo à igreja."É meio estranho que uma garota normal de Kristiansand se tornará nossa futura rainha", disse Nina Camilla Endressen, de 22 anos, natural da mesma cidade ao sul de Oslo de Mette-Marit.Este foi o primeiro casamento real na Noruega desde que o rei Harald V e a rainha Sonja casaram-se em 1968. Estava previsto um banquete para os convidados no palácio do rei após a cerimônia. Os planos sobre a lua-de-mel do casal, que já vive sob o mesmo há 15 meses, juntamente com o filho dela, Marcus, não foram divulgados.Apesar da demonstração de afeto do povo norueguês, o casamento entre Haakan e Mette-Marit, ambos com 28 anos, dividiu as opiniões no país, principalmente por causa do passado "rebelde" da futura rainha, e vem causando debates até mesmo no parlamento.Na quarta-feira, depois de vários meses de especulação por parte da imprensa, Mette-Mariet convocou os jornalistas para admitir que seu passado fora recheado com festas de embalo e drogas. No final da entrevista, no entanto, ela afirmou, com lágrimas nos olhos, estar arrependida do que fez.Desde o anúncio da união, a popularidade da família real norueguesa - formada pelo rei Harald V, rainha Sonja e seus dois filhos, Haakon e a princesa Martha - vem caindo na mesma proporção em que vem aumentando o apoio ao movimento republicano.Duas pessoas vivendo juntas em um casamento não sacramentado e o fato de Mette-Mariet ser mãe solteira são situações que não chegam a assustar os habitantes da Noruega, país onde mais de 50% das crianças nascidas são criadas apenas pela mãe.O que incomoda os noruegueses é exatamente o passado "rebelde" de Mette-Mariet. O contato com as drogas e o fato de Marcus ser filho de um pai que já fora sentenciado por posse de cocaína e cumpriu pena de prisão tiraram o sossego do país.Mas nada que um arrependimento não resolva. Depois da mea-culpa de Mette-Marit, as pesquisas mostraram que sua popularidade pessoal aumentou entre a população.Mais preocupante para a casa real, porém, é o aumento no sentimento republicano: de estáticos 10% para quase 25% nos últimos seis meses; além de uma queda considerável no apoio à monarquia, para 62%, que já teve uma aceitação superior a 80% na década de 90.

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