Ebrahim Noroozi/AP
Ebrahim Noroozi/AP

Nos 34 anos do cerco à embaixada dos EUA, iranianos criticam Rohani

Há 34 anos, radicais fizeram 52 funcionários reféns; protesto foi contra abertura oferecida pelo presidente

O Estado de S. Paulo,

04 de novembro de 2013 | 14h22

Milhares de iranianos gritaram "morte à América" nesta segunda-feira, 4, quando se completam 34 anos do sequestro na embaixada dos EUA em Teerã. Os protestos tiveram como alvo o presidente do Irã, Hassan Rohani, que busca resolver a atual polêmica nuclear e atenuar as tensões com Washington.

A manifestação em frente à antiga sede diplomática americana é um ritual anual, mas desta vez teve repercussão maior por servir de termômetro para a oposição dos radicais conservadores à abertura oferecida por Rohani ao Ocidente, após oito anos de confrontos durante o governo do antecessor Mahmoud Ahmadinejad.

Os EUA e seus aliados acusam o Irã há anos de tentar desenvolver armas nucleares. Depois da posse de Rohani, Teerã começou a discutir com potências mundiais um acordo que elimine as preocupações ocidentais e leve a um abrandamento das paralisantes sanções econômicas internacionais impostas ao país.

O líder máximo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, manifestou apoio crítico a essa abordagem conciliadora, o que não impediu que uma multidão se aglomerasse em torno da antiga embaixada - apelidada de "ninho de espiões" pela imprensa local. Imagens transmitidas ao vivo pela TV estatal mostraram uma multidão que parecia ter milhares de pessoas e grandes cartazes colados nos muros da antiga embaixada, apontando supostas falsidades dos EUA.

No domingo, Khamenei manifestou forte aval à atual negociação nuclear, num aparente alerta aos radicais para que não tentem passar a impressão de que Rohani está empurrando o país para os braços do seu inimigo."Ninguém deve considerar nossos negociadores como autores de concessões", disse Khamenei num discurso. "Eles têm uma missão difícil, e ninguém deve enfraquecer um funcionário que está ocupado com o trabalho."

O cerco de 1979 começou dez meses depois da Revolução Islâmica ter derrubado o regime dos xás, aliados dos EUA. Naquela ocasião, estudantes radicais ocuparam a embaixada e tomaram 52 funcionários como reféns durante 444 dias. Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde aquela época.

Após 34 anos de hostilidade mútua, muitos iranianos aplaudiram a rápida conversa telefônica de setembro entre Rohani e o presidente dos EUA, Barack Obama. Os conservadores, porém, veem essa aproximação com desconfiança.

"Há 34 anos, nossa nação mostrou as realidades ao mundo, que as embaixadas americanas são um lugar de espionagem e tramas", disse o conservador Saeed Jalili, ex-negociador nuclear do país, em discurso à multidão. "A captura do ninho de espiões mostrou que a revolução estava no caminho certo", acrescentou ele, segundo declarações transmitidas pela agência de notícias Irna./ REUTERS

 
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