Nos cafés holandeses, sim à venda de maconha, não ao consumo

Por uma nova legislação contra o fumo em lugares públicos, criou-se a situação no mínimo peculiar de que os cafés da Holanda poderão vender maconha, mas seus fregueses não poderão fumar o produto dentro dos estabelecimentos. Embora a lei, que entra em vigor em janeiro, vise ao tabaco, e não à maconha, seus efeitos acabam atingindo a política especialmente liberal da Holanda a respeito do consumo de drogas. A indústria de alimentação está argumentando que a proibição de fumar em restaurantes, bares e cafés ? incluindo aqueles que vendem maconha ? resultaria na perda de 50 mil empregos de 1,3 bilhão de euros, ou US$ 1,5 bilhão, em faturamento annual, porque as pessoas podem se dirigir à vizinha Bélgica, ou à também bem próxima Alemanha, para ter uma refeição em que possa fumar. O primeiro café a vender maconha e haxixe abriu na Holanda em 1972, e agora são mais de 800, em todo o país. Produtores e vendedores participam de competições anuais de qualidade em Amsterdam, onde milhões de turistas podem experimentar as variedades anunciadas nos cardápios. As reações à nova legislação antitabagista nos cafés varia desde o simples assombro até a preocupação com o que poderá acontecer com a tradição de três décadas de se fumar um baseado socialmente, entre amigos. ?Eles devem estar loucos?, divertiu-se Annemiek van Royan, um frequentador assíduo do Kashmir Lounge, um café na região oeste de Amsterdam. Acendendo um baseado de bom tamanho, ela conta que vai ali todos os dias para conversar com outros consumidores. ?Eu compro um baseado para fumar agora e um pouco para levar para casa. A melhor coisa é vir aqui para relaxar. É a melhor coisa do dia?, comenta.

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