Nos comícios, entusiasmo e retórica repetitiva

Partidários de Obama só falam em mudanças; McCain e Sarah tentam parecer independentes

Mark Leibovich, The New York Times, Shippensburg, EUA, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2008 | 00h00

Partidários do senador Barack Obama e de seu vice, Joseph Biden, muitas vezes parecem aqueles cartazes coloridos da Benetton, enfeitados para receber seus candidatos com chapéus, camisetas e buttons de campanha. Aqueles que apóiam John McCain e Sarah Palin, também apreciam esses adereços, mas preferem os "pompons" (isso mesmo, pompons) e símbolos mais caseiros, como broches com a bandeira americana. Nos comícios democratas há mais dança e nos republicanos mais gritos. Cantam "sim, nós podemos" para receber Obama. E nos eventos de McCain e Sarah o que mais se ouve é "USA" e "drill, baby, drill" ("perfura, baby, perfura", uma referência à extração de petróleo no Alasca). Nos comícios, os democratas cantam com todo vigor canções de Bruce Springsteen e Stevie Wonder. Os republicanos preferem o "country-pop" e as músicas do grupo de rock AC/DC. Os participantes dos comícios democratas parecem mais preocupados com Sarah do que com McCain. Falam da "política do medo" e declaram que a chapa republicana é "irrelevante" - a menos que ela vença, como disse um simpatizante democrata em Charleston, Virgínia Ocidental. Quando você pergunta a eleitores republicanos o que pensam de Obama, a palavra "socialista" é usada com freqüência. Eles também dizem que o democrata tem "fala mansa" - sempre em um tom pejorativo. Muitos parecem ter problema com Michelle Obama, embora não consigam explicar o porquê. E não prestam muita atenção a esse tal de Joe Biden, "ou seja qual for o seu nome". O que podemos aprender a partir de uma observação atenta desses últimos comícios? Já se tornou clichê dizer que o país está "dividido", mas a antropologia desses eventos dá mostras de uma América partidária. Nos últimos dias, as diferenças - bem como algumas semelhanças - se tornaram mais evidentes. As multidões reunidas por Obama são maiores e mais barulhentas, com as de Sarah em segundo lugar (as multidões de McCain em terceiro e as de Biden em quarto). Em termos de volume, idade e entusiasmo da platéia, os comícios de Sarah tem mais em comum com os de Obama do que com os de seu colega de chapa. Os fãs com freqüência correm na direção de Obama e Sarah depois do último discurso, tirando fotos com os celulares. Já os simpatizantes de McCain e Biden parecem compostos por tipos mais velhos, que preferem manter distância respeitosa dos candidatos. É fácil perceber que McCain e Sarah estão se esforçando para transmitir a imagem de candidatos "independentes" porque eles fazem questão de enfatizar tal característica até perderem o fôlego. Assim como é fácil perceber que Obama e Biden só querem saber de "mudança". Eles repetem isso até ficarem roucos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.