Jae C. Hong/AP
Jae C. Hong/AP

Nos EUA, dias de cobertura médica a pacientes com covid-19 acabaram

Em 2020, as seguradoras de saúde do país declararam que cobririam 100% dos custos para tratamentos ambiciosos; este ano, a maioria das seguradoras restabeleceu copagamentos e franquias para os pacientes

Christopher Rowland / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2021 | 20h00

Jamie Azar saiu de uma reabilitação hospitalar no Tennessee, nos EUA, esta semana com a ajuda de um andador após passar todo o mês de agosto na UTI em um ventilador. Ela havia recebido a vacina da Johnson em meados de julho, mas, em 11 dias, o teste deu positivo para o coronavírus e ela quase morreu. Agora Azar, que ganha cerca de US$ 36 mil por ano como diretora de uma pré-escola em uma Igreja Batista na Geórgia, está tendo de encarar despesas médicas de milhares de dólares que ela não pode pagar. “Sou muito grata por estar em casa. Ainda estou fraca. E estou apenas esperando pelas contas para saber o que farei com elas”, disse ela nesta quarta-feira, 22, após voltar para casa.

Em 2020, quando a pandemia se instalou, as seguradoras de saúde dos EUA declararam que cobririam 100% dos custos para tratamentos ambiciosos, dispensando copagamentos e franquias caras para internações hospitalares que frequentemente variam em centenas de milhares de dólares. Mas este ano, a maioria das seguradoras restabeleceu copagamentos e franquias para os pacientes e, em muitos casos, antes mesmo que as vacinas se tornassem amplamente disponíveis. As empresas impuseram os custos à medida que os lucros da indústria permaneceram fortes ou cresceram em 2020, com as seguradoras pagando menos para cobrir procedimentos eletivos que os hospitais suspenderam durante a crise.

Agora, o fardo financeiro da cobiça recai de forma desigual nos pacientes nos EUA, variando muito de acordo com o plano de saúde e a geografia do país, segundo uma pesquisa da organização sem fins lucrativos e apartidária, Kaiser Family Foundation. Se você tiver a sorte de morar no Estado de Vermont ou no Novo México, por exemplo, os mandatos estaduais exigem que as seguradoras cubram 100% do tratamento. Mas a maioria dos americanos com covid-19 agora vivem na incerteza, na confusão, e com despesas de custo médico e assistência médica – que se somam aos custos dos tratamentos de câncer, diabetes e de outras doenças graves e caras. (As seguradoras continuam a dispensar os custos associados à vacinação e testes, um benefício pandêmico exigido pelo governo federal americano.)

Uma viúva sem filhos, Azar, de 57 anos, faz parte desta maioria infeliz. Sua experiência é um sinal do que se esperar no país. A operadora da assistência médica de seu funcionário, UnitedHealthcare, restabeleceu a divisão de custos do paciente em 31 de janeiro. Isso significa que, como ela ficou doente meses depois desta data, ela poderá ter de arcar com os custos de US$ 5.500 por seus cuidados em um hospital próximo à sua casa, na Geórgia, incluindo a permanência na UTI, segundo estimativa da família. Eles preveem que ainda ela poderá custear outros US$ 5.500 relativos a despesas não cobertas no próximo ano, à medida que seu tratamento prossiga.

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O hospital no Tennessee pode chegar a US$ 10 mil a mais na conta, estimaram seus parentes, mas eles reconheceram que não tinham certeza neste mês o que exatamente esperar, mesmo depois de perguntar à UnitedHealthcare e a seus provedores. “Ainda não sabemos onde os números vão parar, porque o sistema faz a família esperar pelas contas ", disse a irmã de Azar, Rebecca Straub. A UnitedHealthcare se recusou a comentar especificamente sobre essa situação, a menos que Azar assine uma renúncia total permitindo a liberação de todos os seus registros de saúde - o que ela se recusa.

"O UnitedHealthGroup, empresa controladora da UnitedHealthcare, relatou US$ 15,4 bilhões em lucros em 2020, diante de US$ 13,8 bilhões em 2019. Os encargos de Azar anteciparam que seriam esmagadores no orçamento”, disse a irmã Straub. 

Seus parentes estão procurando ajuda pública em um site de arrecadação de fundos para pacientes sem fins lucrativos chamado Help Hope Live, que afirma que verifica as circunstâncias da condição de cada paciente com apoio médico. Por meio de uma videochamada no Facebook dela, e falando da cama de um hospital em Chattanooga, na semana passada, Azar mencionou que parentes e amigos estão orando por ela para ajudar a manter um pensamento positivo.Embora ela considere injusta a mudança na assistência médica para as pessoas que adoeceram neste ano, ela declarou não nutrir nenhuma animosidade pessoal em relação ao UnitedHealthcare.

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