Mark Wilson/AFP
Mark Wilson/AFP

Nos EUA, premiê do Japão expressa 'pesar' pela 2.ª Guerra

Abe fez seu discurso no local onde o presidente Franklin Roosevelt pediu uma declaração de guerra contra o Japão imperial na esteira do bombardeio a Pearl Harbor, em 1941

O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 14h56

WASHINGTON - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, expressou “profundo pesar” pelo papel de seu país na 2.ª Guerra nesta quarta-feira, 29, mas ao mesmo tempo exaltou o papel crescente de Tóquio para a segurança global diante do poder crescente da China na Ásia.

Aproveitando o destaque dado a seu discurso histórico no Congresso dos EUA, Abe insistiu que o Japão não deve desviar os olhos do sofrimento causado aos povos asiáticos pelo comportamento japonês nos tempos da guerra, mas não chegou a fazer um pedido de desculpas, se atendo às declarações de seus antecessores.

Como os comentários de Abe sobre o histórico de guerra do Japão não devem satisfazer aqueles que exigiam que ele fosse mais longe, o premiê conservador decidiu se concentrar mais no futuro da aliança militar entre sua nação e os EUA e pressionar os legisladores céticos para que apoiem a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio com países do Pacífico longamente adiado.

O líder, porém, adotou um tom diferente de comentários anteriores ao falar de sua visita ao memorial da 2.ª Guerra, em Washington: “Com profundo pesar em meu coração, estive ali durante algum tempo orando silenciosamente”.

“Agora erguemos bem alto um novo estandarte que é uma contribuição pró-ativa à paz com base no princípio da cooperação internacional”, disse Abe um dia depois de ele e o presidente dos EUA, Barack Obama, acertarem novas diretrizes para o apoio militar japonês às forças americanas para além de suas águas. Ele propôs mudanças na Constituição pacifista pós-guerra do Japão para tornar isso possível.

Bem acolhido pelos congressistas, um reflexo da posição de Tóquio como principal aliado asiático dos EUA, Abe, primeiro premiê japonês a se dirigir a uma sessão conjunta do Congresso dos EUA, usou seu discurso para enviar uma mensagem severa à China, que está envolvida em disputas marítimas com o Japão e vizinhos asiáticos.

Referindo-se ao “estado das águas asiáticas”, Abe pediu respeito aos princípios da negociação pacífica, dizendo que os países não devem “usar a força ou a coerção para impor suas queixas”.

A fala de Abe foi um momento de grande simbolismo da reconciliação dos dois ex-inimigos da 2.ª Guerra e atualmente fortes aliados. Abe fez seu discurso no local onde o presidente Franklin Roosevelt pediu uma declaração de guerra contra o Japão imperial na esteira do bombardeio a Pearl Harbor, no Havaí, em 1941.

Abe terá um desafio imenso para convencer os parlamentares a adotarem o TPP, um acordo bilateral essencial para um pacto mais amplo com 12 nações que envolveria um terço do comércio mundial.

Obama torce para que a visita de Abe o ajude a criar ímpeto em sua agenda comercial, o que incluiria uma legislação que lhe conceda autoridade para agilizar todo e qualquer acordo com parceiros do Pacífico no Congresso.

Na mudança mais dramática na política de segurança desde o soerguimento militar japonês do pós-guerra, em julho passado o gabinete de Abe adotou uma resolução reinterpretando a constituição para permitir que as forças armadas do Japão forneçam auxílio militar aos EUA e outros países amigos sob ataque. / REUTERS 

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