Nos EUA, risco de droga falhar freia execução

Defesa alegou que réu poderia passar por grande sofrimento e consegue suspensão de sentença

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2014 | 02h08

A Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu na madrugada de ontem, nos últimos instantes, uma execução por injeção letal no Estado de Missouri três semanas depois da desastrosa execução de outro condenado à morte, em Oklahoma. Naquela ocasião, o prisioneiro reagiu minutos depois de ser declarado inconsciente.

Russell Bucklew, condenado à morte por violentar a ex-namorada e matar o então parceiro dela, deveria ser executado à zero hora de ontem (3 horas de Brasília). Alegando risco de "sofrimento intolerável", os advogados dele conseguiram que o juiz Samuel Alito, responsável por Missouri na Suprema Corte, ordenasse a suspensão até a avaliação de todos os magistrados sobre o caso.

O principal argumento da defesa foi de que Bucklew sofre de uma rara enfermidade, com má-formação das veias e tumores vasculares no pescoço, e, por isso, poderia passar por grande sofrimento no procedimento da injeção letal, o que violaria a Constituição.

Na semana passada, os advogados pediram à Justiça que a execução de Bucklew fosse gravada para provar o sofrimento causado pela droga da injeção letal.

O caso deve aumentar o debate entre partidários e opositores da pena capital. Essa teria sido a primeira execução no país depois da morte de Clayton Lockett, no dia 29, em Oklahoma. Lockett morreu 43 minutos depois de ter recebido a injeção letal que nunca tinha sido testada. Normalmente, os condenados morrem dez minutos depois da aplicação da injeção.

No ano passado, Missouri mudou do protocolo que utiliza três drogas para o de uma única injeção, a substância pentobarbital. Nenhum dos seis executados pelo Estado desde então apresentaram sinal de dor ou sofrimento. Mas os opositores da pena de morte dizem que o segredo que protege os processos e métodos de execução torna impossível determinar se as drogas causaram uma morte agonizante para o condenado. / AFP e AP

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