"Nós não precisamos de bomba atômica", afirma presidente do Irã

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que seu país não quer ter armas atômicas e está disposto a discutir a suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio."Nós não precisamos de uma bomba nuclear, ao contrário do que alguns pensam. Lamentavelmente, alguns acreditam que bombas nucleares podem ser eficazes. Eles estão errados. A época das bombas nucleares acabou", afirmou Ahmadinejad. O presidente ainda reclamou que não sabe o que fazer para convencer o Ocidente de que fala sério.Ele citou um decreto do líder supremo da revolução islâmica iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, que declarou a construção de armas nucleares como contrária aos princípios do Islã."Portanto, nenhum corpo tem o direito de mover-se nessa direção. Em nosso país, isso não é permitido", assegurou o presidente.Ahmadinejad reiterou que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos de geração de energia elétrica e disse que não sabe o que mais poderia fazer para oferecer garantias nesse sentido.Ele também assegurou que o Irã não está escondendo nada e está trabalhando de acordo com as diretrizes do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).Ahmadinejad declarou ainda que "o Irã está disposto a discutir a suspensão do enriquecimento de urânio, dentro de condições justas. Nossa posição é muito clara: trabalhamos dentro das normas do Tratado de Não-Proliferação e buscamos exercer nosso direito de acordo com o tratado, e nada mais".Ele ressaltou que o Irã não está preocupado com garantias à sua segurança. "Somos capazes de nos defender, e a experiência de nossa guerra de oito anos contra o Iraque deveria ter mostrado isso ao mundo", acrescentou.Sobre os EUAAhmadinejad acusou os Estados Unidos de praticarem uma política de "dois pesos e duas medidas" e sugeriu ao governo americano que destrua seu própria arsenal nuclear, o que tornaria o país "menos suspeito aos outros".O presidente iraniano questionou o que os EUA têm feito para reduzir seu próprio arsenal nuclear. "Eles precisariam se reportar" à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pressionou. "Nós temos agido de forma bastante transparente", alegou.Sobre o Líbano, Ahmadinejad rejeitou qualquer tipo de ingerência sobre os assuntos internos de Beirute. O Irã é acusado de financiar e fornecer armas ao grupo guerrilheiro xiita Hezbollah, que entre julho e agosto travou uma guerra de 34 dias com Israel em solo libanês."Nós damos apoio espiritual a quem precisa de apoio para lutar por seus direitos", afirmou Ahmadinejad ao ser questionado sobre as denúncias de que Teerã forneceria armas ao Hezbollah.Segundo ele, o governo iraniano é favorável à "estabilidade permanente no Líbano e não se furtará de apoiar tal objetivo".Dois dias depois de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter feito uma declaração endereçada ao povo iraniano, Ahmadinejad retribuiu com palavras aos americanos. "O povo dos Estados Unidos é muito respeitado por nós. A maior parte do povo americano acredita em Deus e na justiça", declarou.Escapada em Nova YorkNa noite de quarta-feira, Ahmadinejad deixou de ir aos eventos da ONU, em Nova York, para comparecer a uma reunião do Conselho de Relações Exteriores em um hotel na cidade.O The New York Times classificou a atitude como um "plano B" do líder iraniano, que conseguiu escapar do isolamento imposto pelo governo americano. A Casa Branca queria que Ahmadinejad não tivesse a oportunidade de discursar em outros espaços além da área internacional da ONU.Ao invés de se ater somente à Assembléia, Ahmadinejad respondeu a perguntas de dezenas de membros do Conselho por mais de uma hora. Sua presença indignou grupos judeus, que boicotaram o evento, e acharam "insultante" a participação do presidente do Irã na convenção. Ainda de acordo com o jornal nova-iorquino, ele passou "40 minutos questionando as provas de que o Holocausto tenha acontecido". Também teria dito que não pode haver confiança entre o Irã e as grandes potência devido a 50 anos de promessas não cumpridas.Ampliada às 17:13

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.