AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Maduro troca ministro e pode alterar regime cambial

Nos últimos meses, uma das bandas cambiais em vigor no país desvalorizou o bolívar, que saltou de 200 para 650 em relação ao dólar

O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2016 | 17h27

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na madrugada de ontem uma reforma ministerial que envolve sua equipe econômica em meio a um embate dentro do governo sobre uma liberalização maior do regime cambial do país. Nos últimos meses, uma das bandas cambiais em vigor no país desvalorizou o bolívar, que saltou de 200 para 650 em relação ao dólar. 

Principal responsável por essa estratégia, o vice-presidente da área econômica Miguel Pérez Abad afirmou ontem que trabalha com a ampliação desse sistema de banda flutuante. Na reforma ministerial de Maduro, Abad deixou o cargo paralelo que ocupava no Ministério de Indústria e Comércio para se dedicar, segundo o presidente, "a uma nova missão". 

"As condições estão dadas para um sistema flutuante mais amplo, que cubra as expectativas do setor produtivo e dos cidadãos", disse Pérez Abad. 

Outro vice-presidente de Maduro, Aristóbulo Istúriz, foi mais cauteloso sobre uma reforma cambial. "Temos discutido muito um novo regime cambial. Tem quem acredite que temos de abandonar o sistema de bandas. Mas acredito que tenhamos de manter, por enquanto, um dólar protegido para medicamentos e alimentação", disse. "Se tivéssemos mais divisas, poderíamos atacar mais o paralelo, mas temos que trabalhar como que temos, não com o que desejamos."

A Venezuela enfrenta desde 2013 uma escassez de moeda forte provocada pela expansão do gasto público e diminuição da produtividade da PDVSA, a estatal do petróleo, aliada à queda no preço da commodity a partir de meados de 2014. Com isso, o país passou a restringir importações para o setor privado, o que agravou a inflação e a escassez de alimentos em remédio.

A última reforma cambial, no começo do ano, manteve uma banda preferencial para compra de itens básicos, a 6,30 bolívares por dólares, que só entidades governamentais têm acesso. A outra, para empresas privadas e pessoas físicas, varia. Desde fevereiro, ela quase triplicou e o dólar paralelo estabilizou-se em torno de mil bolívares. 

A saída de Pérez Abad do Ministério da Indústria, no entanto, preocupa analistas. Tido como moderado, ele tem interlocutores no setor privado. Para seu lugar, Maduro escolheu Carlos Faria. 

"Ele trará energia e força para o ministério", disse Maduro sobre o substituto de Abad. 

"É uma derrota para os pragmáticos dentro governo. Aparentemente os planos de unificar o câmbio foram colocados em pausa", disse o economista-chefe do Torino Capital, Francisco Rodríguez. "Temos de esperar pra saber se ele continuará como vice-presidente da área econômica para saber o que muda na política cambial de fato."

 

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