Jason Szenes / EFE
Jason Szenes / EFE

Nos velhos tempos, espiões eram tratados de outro modo, diz Trump sobre impeachment

Presidente diz que quer descobrir quem contou a agente da CIA sobre telefonema entre ele e Volodmir Zelenski

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 18h47

NOVA YORK - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 26, que pretende descobrir quais funcionários da Casa Branca falaram de seu telefonema para o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, para o agente que registrou uma denúncia anômima contra o caso. 

"Quem quer que tenha feito isso é alguém próximo de um espião", disse Trump. "Eu quero saber quem deu a informação."

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A declaração deixou perplexas as pessoas que assistiam a um encontro entre o presidente e a missão diplomática dos Estados Unidos na sede da ONU, em Nova York. 

O evento reunia cerca de 50 pessoas, entre diplomatas e parentes, em homenagem à missão americana. 

"Vocês sabem o que antigamente acontecia com espiões e traições nos velhos tempos, não?", questionou. "Lidávamos com essa questão de uma maneira um pouco diferente do que fazemos agora. 

Trump pressionou por investigação contra Biden

Num telefonema ao presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, Trump disse que Biden tinha atuado para parar investigações sobre seu filho. Trump também disse que Lutsenko foi afastado de maneira injusta após investigar o caso.

A pressão de Trump sobre Zelenski para investigar Biden levou a Câmara dos Deputados dos EUA a abrir um processo de impeachment contra o presidente.

O telefonema entre Trump e Zelenski em julho chamou a atenção de um agente de inteligência do governo que fez uma denúncia anônima conta o presidente. Segundo ele, a Casa Branca atuou para impedir que a denúncia chegasse ao Congresso.

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Autor de denúncia seria agente da CIA

 O funcionário que fez a denúncia anônomia contra Trump é um agente da CIA que foi deslocado para a Casa Branca, segundo o jornal americano The New York Times.

Desde a denúncia, o homem retornou à CIA, de acordo com três pessoas próximas a ele citadas pelo jornal. A divulgação do documento com os detalhes de sua denúncia, enviado ao Congresso dos EUA nesta quinta-feira, 26, sugere que ele seja um analista inteirado nos detalhes da política externa americana para com a Europa, além de possuir conhecimento da política ucraniana.

Ele não escutou diretamente o telefonema feito em julho, onde Trump menciona as investigações na Ucrânia contra o ex-vice presidente e pré-candidato democrata para 2020, Joe Biden, e seu filho, Hunter Biden, então funcionário da empresa de gás ucraniana Burisma, e alvo de investigações de corrupção no país.

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Diretor de inteligência diz que denúncia foi correta

O diretor da Inteligência Nacional dos EUA, Joseph Maguire, que depôs no Congresso nesta quinta, negou que saiba a identidade do homem e defendeu que ele fez a decisão certa em denunciar.

Agentes e analistas militares, da inteligência e jurídicos costumam trabalhar normalmente na Casa Branca. Com frequência, compõem o Conselho Nacional de Segurança ou garantem segurança para comunicações oficiais, justamente como ligações entre o presidente e líderes de Estado estrangeiros.

De acordo com a denúncia, o funcionário da CIA soube dos detalhes da ligação entre Trump e Zelenski “no curso oficial” da troca de informações entre agências do governo, prática comum na Casa Branca./ NYT  e WPOST

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