Notas não dão detalhes sobre morte de brasileiro no Iraque

Atestado da embaixada brasileira diz apenas que foram "ferimentos diversos"

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

A irmã do engenheiro João José Vasconcellos, Isabel, disse que foi informada pelo governo brasileiro que ele foi morto por "ferimentos diversos" depois de ter desaparecido no Iraque em janeiro de 2005. "O atestado de óbito lavrado pela embaixada do Brasil no Kuwait só diz que foram ferimentos diversos", contou ela à BBC Brasil."Fala do desaparecimento e que ele teria sido morto no Iraque", disse. O documento não diz quando ele teria sido morto. A família foi informada há uma semana de que o corpo do engenheiro foi encontrado pelas tropas aliadas, no Iraque. Nesta quinta-feira, o Itamaraty divulgou uma nota informando que os restos mortais de Vasconcellos haviam sido encontrados e já estavam em São Paulo.Isabel atribui a entrega do corpo aos apelos que foram feitos pela família para que os seqüestradores se manifestassem. "Achamos que agora eles tiveram a oportunidade de entregar", afirmou. Do Iraque, o corpo foi levado para o Kuwait, para uma base de identificação, onde a arcada dentária foi comparada com exames do engenheiro. De acordo com Isabel, nenhum membro da família viajou ao Oriente Médio. O traslado foi organizado pelo governo brasileiro e pela construtora Norberto Odebrecht, onde o engenheiro trabalhava quando foi seqüestrado.Vasconcellos desapareceu em janeiro de 2005 depois de ser levado como refém em uma emboscada ao veículo em que viajava, nos arredores da cidade de Baji.Poucos dias depois, a TV árabe Al-Jazeera, baseada no Catar, divulgou imagens de documentos pessoais e pertences do engenheiro, assim como uma reivindicação do ataque pelos grupos Brigadas Al Mujaheddin e Exército Ansar al-Sunna.Isabel - que nesta quinta-feira foi a São Paulo para acompanhar o transporte do corpo para Juiz de Fora, onde mora a família e onde o engenheiro será enterrado - não quis falar sobre a atuação do governo brasileiro no caso."No momento não está dando nem para avaliar, não", disse.

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