Notícia falsa sobre invasão causa pânico na Geórgia

Uma emissora de televisão da Geórgia causou pânico entre a população ao anunciar falsamente, no fim da noite de ontem, que a Rússia estava invadindo o país, o que causou indignação entre os georgianos neste domingo. O governo pró-Ocidente do presidente Mikhail Saakashvili alegou ter ficado "tão espantado quanto todo mundo" com o bizarro incidente, mas a oposição qualificou o episódio como uma farsa patrocinada pelo Estado. De acordo com agências locais de notícias, o programa de televisão provocou pânico generalizado, levando a um número recorde de ligações para os serviços de emergência e incidentes múltiplos de ataques cardíacos e desmaios.

AE, Agencia Estado

14 de março de 2010 | 14h44

O programa, transmitido na noite de sábado pelo canal privado de televisão Imedi, informou que tanques russos estariam a caminho da capital Tbilisi, que o presidente Saakashvili havia sido assassinado e que líderes de oposição haviam se alinhado às forças invasoras. Foram levadas ao ar imagens da guerra travada em 2008 entre os dois países. Um breve aviso levado ao ar pouco antes do programa dizia tratar-se de uma "simulação" dos desdobramentos possíveis de uma eventual invasão russa, mas o programa em si não trazia nenhuma advertência de que se tratava de uma simulação.

A líder oposicionista Nino Burjanadze, que figurava entre as pessoas citadas no programa como uma das que haviam se aliado à Rússia, qualificou a notícia como propaganda patrocinada pelo governo. "O tratamento dispensado por este governo a seu próprio povo é ultrajante. Tenho certeza de que cada segundo desse programa foi acertado com Saakashvili. Muita gente sofreu trauma psicológico por causa disso", afirmou Nino, uma ex-presidente do Parlamento que hoje lidera o Movimento Democrático Geórgia Unida, em entrevista à AFP.

"As palavras sobre mim eram sempre calúnias maliciosas e processarei tanto a emissora Imedi quanto as autoridades", prosseguiu ela. A oposição georgiana tem acusado o governo de usar as emissoras nacionais de televisão - entre elas a Imedi, dirigida por um firme aliado de Saakashvili - para difamar os críticos do governo. As autoridades georgianas também têm recebido duras críticas de grupos internacionais de defesa da liberdade de imprensa por casos de manipulação da mídia, especialmente das notícias divulgadas pela televisão.

O governo negou que soubesse de antemão do teor do programa e denunciou sua transmissão como "irresponsável". "A oposição está criando um mito de que esse programa foi combinado com as autoridades e tenta se aproveitar disso em busca de seus próprios fins", queixou-se à AFP a conselheira de segurança nacional da Geórgia, Eka Tkeshelashvili. "É claro que isso não é verdade. Este programa foi uma surpresa extremamente desprazerosa para as autoridades", defendeu-se.

A Imedi acabou pedindo desculpas pela transmissão do programa, mas não antes de cidadãos georgianos revoltados terem iniciado campanhas na internet denunciando a atitude do canal. Duas páginas do Facebook com críticas duras à Imedi foram criadas logo depois da transmissão do programa e, nas primeiras horas de hoje, já haviam atraído mais de 5.500 seguidores.

Em Moscou, autoridades russas foram rápidas em denunciar a falsa notícia como uma provocação organizada pelo governo. "É preciso ver quem se beneficia. Neste caso, o único beneficiário é o presidente Saakashvili, que vê no ato de fazer seu povo acreditar que o país está em perigo como a única forma de ter alguma espécie de lugar na história", disse Konstantin Kosachev, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento russo. As informações são da Dow Jones.

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