Notícia surpreende a população, mas ilha está tranqüila

Alguns segundos depois que o chefe degabinete de Castro, Carlos Valenciaga, leu na televisão o comunicado sobre a intervenção cirúrgica do líder cubano e a delegação de poder ao seu irmão mais novo, Raúl Castro, as linhas de telefone da ilha entraram em colapso devido àsligações entre cubanos de dentro e fora do país para comentar a notícia.Por volta da meia-noite de segunda-feira, em Havana (2,1 milhões de habitantes), as ruas estavam vazia vazias, como é normal a esta hora da noite. A capital não mostrava nenhum sinal de atividade extraordinária por volta da meia-noite. A normalidade era absoluta, inclusive nos arredores do Palácio da Revolução, sede do Conselho de Estado. Os canais da televisão cubana, que repetiram várias vezes a leitura do comunicado, voltaram depois à programação normal. As redes de rádio mantiveram sua programação normal, emborarepetindo o comunicado periodicamente. "Esta é uma notícia que comove o país e o mundo. É uma notícia inesperada nesta situação e traz consigo muitas incógnitas", comentava Rudi, um morador de Havana que tinha ouvido, atônito, amensagem do presidente. A notícia, no entanto, não impediu Rudi de jogar a partida de dominó diária com seus vizinhos do bairro de Miramar. O anúncio surpreendeu também diplomatas, empresários e jornalistas estrangeiros, que se encontram em alerta máximo. "O pior já passou e é possível que haja boletins médicos para a população nos próximos dias", explicou um funcionário cubano próximoa Fidel Castro. Poucos podiam esperar uma notícia como esta após ver o líder cubano falar durante mais de cinco horas, de pé, em dois atospúblicos organizados no dia 26, em comemoração ao aniversário do assalto ao quartel de Moncada, considerado o início da revolução. "Os vizinhos do norte não precisam se preocupar, porque não pretendo exercer meu cargo até os 100 anos", disse Castro naquele dia, em tom de piada, durante um de seus discursos. "O fato de que ele tenha precisado delegar poderes a Raúlsignifica que realmente o caso é grave", comentou um diplomata ocidental. Os cubanos nunca tinham visto Fidel Castro delegar funções. Nem o desmaio que sofreu durante um ato nos arredores de Havana, em 2001, nem a queda que provocou graves lesões num braço e numa perna, emoutubro de 2004, haviam sido o bastante para afastar o líder de suas funções políticas.

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