Nova aliança poderia facilitar acordo de paz

WASHINGTON

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

O jornalista Stephen Kinzer acredita que o acordo de troca de urânio iraniano enriquecido por combustível nuclear, obtido por Turquia e Brasil, em maio, foi altamente positivo. No entanto, segundo ele, foi assinado em um momento de mau humor de Washington, que já preparava outra saída para o problema - o apoio dos demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para novas sanções.

De acordo com Kinzer, um novo triângulo entre EUA, Irã e Turquia não significaria a superação completa da formação anterior (EUA, Israel e Arábia Saudita), principalmente por causa dos laços entre Washington e Tel-Aviv e da demanda americana por petróleo.

Com os sauditas, porém, a relação está desgastada. Washington não tem dúvidas de que a Arábia Saudita tem fomentado o terrorismo e apoiado o Taleban no Afeganistão. Dentre os 19 sequestradores dos aviões comerciais usados nos ataques de 11 de setembro de 2001, 15 eram sauditas.

O triângulo EUA-Israel-Arábia Saudita foi uma criação que serviu a seus propósitos ao longo da Guerra Fria, segundo o autor. Ele lembra, entretanto, que a formação não foi capaz de produzir um acordo de paz consistente entre israelenses e árabes e também não conseguiu estabilizar o Oriente Médio.

De acordo com ele, o novo triângulo pode não ser uma panaceia, mas abriria os contatos com outros vasos comunicantes da região, que são essenciais para um acordo entre Israel e a Autoridade Palestina.

Para Kinzer, se a possibilidade de paz depender da negociação apenas entre israelenses e palestinos, nada sairá do lugar, especialmente porque Binyamin Netanyahu ou qualquer outro primeiro-ministro israelense poderia fazer as concessões necessárias para um acordo.

"É preciso adotar um novo modelo de negociação, no qual sejam incluídas todas as partes aparentemente secundárias da questão, para que surjam as concessões necessárias." / D. C. M.

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