Nova cepa de gripe aviária infecta mais 4 na China, diz Xinhua

Autoridades chinesas reportaram nesta terça-feira quatro novos casos de uma cepa de gripe aviária até então desconhecida em humanos que já matou duas pessoas, elevando o total de casos conhecidos para sete.

Reuters

02 de abril de 2013 | 13h54

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na segunda-feira que não havia nenhuma evidência de que a cepa H7N9 poderia ser transmitida entre pessoas, mas que estava investigando o surto.

Os quatro novos pacientes na província de Jiangsu, no leste da China, estavam todos em estado crítico e recebendo tratamento de emergência, informou a agência de notícias Xinhua, citando o escritório de saúde da província de Jiangsu. Uma mulher na província de Anghui, que contraiu o vírus no início de março, também está em estado crítico.

O site de notícias chinesas Chinanews.com disse que os quatro pacientes em Jiangsu --uma província próxima a Xangai-- tinham entre 32 e 83 anos e apenas um, uma mulher de 45 anos, tinha trabalhado no mercado abatendo aves.

Todos os quatro relataram sintomas variados de tontura, febre, tosse e falta de ar.

A Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar da China confirmou no domingo uma reportagem da Xinhua de que três pessoas foram infectadas com a nova cepa.

As duas mortes eram homens em Xangai com 87 e 27 anos que adoeceram no final de fevereiro.

Não se sabe como as sete vítimas foram infectadas, mas o governo acredita que o vírus não seja altamente contagioso.

A Xinhua disse que 43 pessoas que tinham sido identificados como tendo estado em contato próximo com os quatro pacientes em Jiangsu estavam sob observação médica, mas não tinham desenvolvido os sintomas da gripe.

A OMS disse na segunda-feira que os três primeiros casos não haviam mostrado nenhuma evidência de transmissão humana, mas que ainda havia perguntas a responder sobre a origem da infecção e o modo de transmissão.

A China tem um histórico ruim quando se trata de lidar com más notícias, que muitas vezes é encoberta por funcionários temendo que isso possa atrair atenção indesejada de seus superiores e prejudicar as perspectivas de promoção, apesar dos esforços do governo para aumentar a transparência.

Em 2003, Pequim inicialmente tentou encobrir a epidemia de síndrome respiratória aguda grave (Sars), que surgiu na China e matou cerca de um décimo das 8.000 pessoas infectadas em todo o mundo.

Alguns chineses se queixaram de que as autoridades levaram muito tempo antes de anunciar as mortes no domingo, embora a OMS diga que o governo agiu corretamente.

Wu Fan, médica-chefe e diretora-geral do Centro Municipal de Controle de Doenças de Xangai, disse a jornalistas nesta terça-feira que o governo agiu tão rapidamente quanto podia.

"Nesta situação, demorar 20 dias para identificar e confirmar um novo vírus já é considerado rápido", disse ela.

"Nós não podemos dizer com certeza ou confirmar se era um caso de um ser humano pegando um vírus aviário ou um vírus da gripe aviária mudando e se tornando um novo vírus da gripe humana."

Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, disse que nesta fase não há motivo para alarme.

"No momento, eu não acho que seja nada mais do que um conjunto incomum de casos isolados", disse ele à Reuters.

Ele explicou que três tipos de gripe aviária --H5, H7 e H9-- foram consideradas pelos especialistas como uma ameaça potencial para os humanos.

Como não há nenhuma prova até agora de transmissão humana, ou de grupos de casos em torno dos poucos confirmados até agora, ele disse que as autoridades devem estar atentas, mas não precisam decretar medidas de emergência.

(Reportagem de Koh Gui Qing, Ben Blanchard, Melanie Lee e Kate Kelland)

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