Nova chefe de direitos humanos da ONU conclama debate

A nova alta comissária dasNações Unidas para os Direitos Humanos, Navanetham Pillay,defendeu na segunda-feira a realização de um debate abertosobre o racismo e a intolerância religiosa, voltando-se assimcontra países que ameaçam boicotar uma cúpula sobre essasquestões. Em seu primeiro discurso como chefe do Conselho de DireitosHumanos das Nações Unidas, a ex-juíza do Tribunal PenalInternacional (TPI) disse que a já polêmica conferência sobre oracismo e a xenofobia marcada para abril de 2009 perderia aindamais força se os EUA e outros países se ausentassem dela. "Não podemos esquecer que a diversidade de opiniões são, emgeral, características inerentes e bem-vindas da relação entreiguais", afirmou. "Se permitirmos que as diferenças tornem-se pretextos paraa omissão, as esperanças e as aspirações de muitas vítimas daintolerância serão frustradas, talvez de forma irreparável." Os EUA e Israel abandonaram a última grande cúpulaanti-racismo realizada pela Organização das Nações Unidas(ONU), no ano de 2001, em Durban, afirmando que a reunião haviase transformado em um fórum anti-semita. O Canadá disse que não participará da reunião preparatóriamarcada para Genebra, e os EUA, a Grã-Bretanha, a Holanda e aFrança aventaram a hipótese de se ausentarem se, mais uma vez,a forma como Israel trata os palestinos deixar em um segundoplano todos os outros assuntos. Algumas pessoas preocupam-se também com a possibilidade deos países islâmicos tentarem usar a conferência para fazeraprovar uma declaração que limitaria a liberdade de expressãoao tachar como difamatória qualquer tipo de crítica àsreligiões. Sem mencionar nenhum país especificamente, Pillay disse seruma de suas prioridades garantir uma participação total e plenana cúpula de abril próximo, conhecida como "Durban-2". "Eu conclamo os governos que manifestaram a intenção de nãoparticipar da conferência a reconsiderarem sua posição",afirmou a alta comissária. "Farei tudo o que for possível paralevar todos à mesa de negociações." No discurso que proferiu dentro do Conselho, cuja sede ficaem Genebra, Pillay disse que sua declaração sobre o mérito deexpressar opiniões diferentes inspirava-se em Nelson Mandela,cujo governo fez dela a primeira mulher não-branca a ocupar umcargo na Suprema Corte da África do Sul. "Nelson Mandela me ensinou que, longe de ser uma mitigação,compreender as experiências e os pontos de vista de uma pessoapode servir melhor à Justiça do que estratégias que não deixamespaço às negociações", afirmou Pillay. As declarações dela foram criticadas pelo grupo UN Watch,de defesa dos direitos humanos, cujo diretor-executivo, HillelNeuer, disse que o fato de os EUA e Israel terem abandonado areunião de 2001 foi o motivo pelo qual a parte "mais virulentadas declarações" viu-se removida do comunicado final doencontro. "A ameaça de não participação por parte do Ocidentecontinua a ser a única força com a menor chance de sucesso paraevitar que a conferência (Durban-2) transforme-se em um fiascototal", afirmou Neuer em um comunicado.

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