Nova Constituição palestina será revelada amanhã

O esboço da nova Constituição palestina será publicado amanhã, quinta-feira, pelos jornais dos territórios palestinos e na Internet, anunciou hoje Nabil Shaath, ministro palestino para a Cooperação. Shaath explicou que, desta forma, os palestinos poderão conhecer o texto da Constituição antecipadamente, apesar de ser necessário que antes ela seja aprovada pelo Conselho Central Palestino (Parlamento), que se reunirá em Ramallah assim que obtiver permissão de Israel.De acordo com fontes próximas ao governo palestino, a nova Constituição prevê a instituição do cargo de primeiro-ministro, o que não está previsto no atual estatuto da Autoridade Nacional Palestina (ANP), de Yasser Arafat.A Constituição determinará ainda que o Islã será a religião oficial do futuro Estado palestino, soberano e independente.Ainda nesta quarta-feira, as autoridades israelenses começaram a transferir para a ANP parte dos fundos palestinos congelados desde o início da atual intifada (levante popular), em 28 de setembro de 2000.A informação foi revelada pelo ministro de Economia da ANP, Salam Fayyad, citado hoje pelo jornal Al-Quds, de Jerusalém.O ministro confirmou que a ANP recebeu de Israel, há duas semanas, o equivalente a ? 50 milhões. Na segunda-feira, foram liberados mais ? 60 milhões.Fayyad acrescentou que os fundos foram, em grande parte, utilizados para pagar salários atrasados dos funcionários da ANP.De acordo com fontes, Israel ainda mantém congelados pelo menos ? 4 bilhões.MortesTambém hoje, soldados israelenses mataram três palestinos em ações na Cisjordânia. Na Faixa de Gaza, o Exército demoliu a casa de um palestino foragido da justiça, causando a morte de uma mulher idosa.As novas operações militares ocorrem num momento no qual o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, tenta formar uma nova coalizão de governo, possivelmente reunindo políticos de extrema direita, que serão ainda mais duros com os palestinos.Na Faixa de Gaza, soldados israelenses demoliram a casa de um palestino no campo de refugiados de Maghazi, causando a morte de uma mulher idosa que se encontrava no interior da residência.Ela era madrasta de Baha Abu Said, que em novembro de 2000 matou dois soldados israelenses. Ninguém soube explicar por que ela ainda estava na casa no momento da demolição.Com a ajuda de alto-falantes, os soldados costumam avisar os ocupantes para que deixem as casas antes das demolições. Porém, houve casos de pessoas surdas que ficaram dentro das casas sem saber o que acontecia. Os familiares de Abu Said disseram que ela não ouvia direito, mas não era surda.Em Nablus, na Cisjordânia, soldados mataram um rapaz de 18 anos quando buscavam palestinos suspeitos de militância. O Exército alega que o palestino atirou contra seus soldados. Testemunhas, no entanto, garantem que o rapaz estava apenas atirando pedras contra os militares.Em Qalqiliya, os soldados de Israel mataram um policial palestino e deixaram uma mulher ferida, durante uma operação de buscas.

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