EFE
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Nova Délhi proíbe serviço de carona após denúncia de estupro

Usuária do Uber disse ter sido estuprada por motorista cadastrado em sistema de transporte online; suspeito foi preso

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 20h05

 NOVA DÉLHI - O Uber – popular serviço americano que permite aos seus usuários procurar por caronas pela internet – teve seu funcionamento proibido na capital indiana nesta segunda-feira, 8, depois que uma passageira que utilizou o sistema acusou um dos motoristas que o operam de estupro. O caso reacendeu o debate sobre segurança das mulheres na Índia. 


O Uber, que aceitou o cadastro do motorista apesar de ele ter sido preso por acusações de praticar um ataque sexual havia três anos, será proibido de fornecer qualquer serviço futuramente na região de Nova Délhi, segundo informou a Secretaria de Transportes da cidade em comunicado oficial.

O estupro denunciado pela usuária do Uber foi o mais recente caso do tipo a chamar atenção da sociedade para os perigos enfrentados pelas mulheres no segundo país mais populoso do mundo. 

Mesmo depois da aprovação de novas leis que impõem penas mais duras para estupro e abuso sexual e da criação de tribunais específicos para apressar esses processos, a Índia ainda enfrenta dificuldades para conter atitudes que deixam mulheres vulneráveis a ataques desse tipo.

“Em razão da violação e do crime horrendo cometido pelo motorista, a Secretaria de Transportes baniu todas as atividades relacionadas ao oferecimento de qualquer serviço de transporte pelo www.uber.com”, declarou ontem o comissário especial da pasta, Kuldeep Singh Gangar.

Uma porta-voz do Uber disse que não poderia comentar imediatamente o assunto.

Processo.O motorista preso pelo estupro da usuária do Uber, Shiv Kumar Yadav, compareceu ao tribunal ontem e teve a prisão temporária decretada. Deverá ficar em custódia pelo menos até amanhã. Há três anos, ele tinha sido preso sob acusações de estuprar uma mulher, mas foi inocentado posteriormente, de acordo com a polícia de Nove Délhi.

As autoridades indianas disseram que estão considerando medidas jurídicas contra o serviço de táxi, porque o histórico criminal do motorista não foi verificado antes de ele ser autorizado a participar do sistema.

A empresa americana disse que não há regras definidas na Índia sobre verificações de antecedentes criminais para licenças de transporte comercial e está trabalhando com o governo indiano para tratar da questão. “O que aconteceu no fim de semana em Nova Délhi é horrendo”, disse o presidente executivo do Uber, Travis Kalanick, em comunicado antes do banimento da empresa na capital indiana. “Faremos tudo para ajudar a levar esse criminoso à Justiça.” / REUTERS

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