Nova geração chinesa chega ao poder para combater pobreza

Perante a próxima geração de dirigentes do país, o primeiro-ministro chinês em final de mandato, Zhu Rongji, abriu a sessão do Legislativo nacional com um discurso em que proclamou como principal objetivo das novas lideranças o combate à pobreza que atinge centenas de milhões de cidadãos que permanecem à margem do progresso econômico e das mudanças radicais que ocorreram na economia da China.O discurso do premier teve como tema principal o crescimento econômico a uma taxa de 7,7% ao ano durante seu governo e os riscos de tensões sociais decorrentes do aumento do desemprego e das desigualdades salariais, embora o Congresso Nacional do Povo tenha como prioridade número um ratificar as importantes decisões políticas tomadas em novembro passado, por ocasião do 16º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC). No temário apresentado aos 2.984 delegados que compõem o Legislativo da República Popular da China, em primeiro lugar está a designação do sucessor do presidente Jiang Zemin, de 76 anos. O cargo deverá passar para Hu Jintao, de 60 anos, que em novembro foi escolhido para secretário-geral do PCC. Mas Jiang continuará à frente do Comitê Militar Central, o que lhe dá o controle sobre o poderoso Exército Popular de Libertação (as Forças Armadas). Por essa razão, muitos analistas consideram que o atual presidente continuará desempenhando um papel predominante na política chinesa. O PCC vê na pobreza uma crise social e uma possível ameaça a seu poder. Seus dirigentes temem que a indignação com a corrupção, os salários deprimidos entre os 800 milhões de habitantes do setor rural e uma brecha crescente entre ricos e pobres se transformem em uma combinação explosiva. Zhu, de 75 anos, recordou hoje que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ocorreu em meio a ?terríveis dificuldades?, como a crise dos "tigres" asiáticos em 1997, a queda da "nova economia" no Ocidente e a guerra no Afeganistão. Junto com esse incremento, prosseguiu, cresceram os intercâmbios da China com o resto do mundo e as reservas monetárias do país. Ao mesmo tempo, o salário médio dos chineses aumentou pouco menos do que 9% nas cidades e "apenas" 3,8% no campo. Por isso mesmo, exortou, é preciso estender a prosperidade ao interior da China, através da criação de empregos e de um sistema previdenciário que apóie os pobres. "Deveríamos continuar desenvolvendo a agricultura e a economia rural e aumentar os salários dos agricultores como a máxima prioridade de nosso trabalho no setor econômico", disse Zhu. A televisão estatal divulgou sua mensagem para toda a nação. Após uma década de preparativos, a mudança de geração poderá constituir a primeira transferência ordenada do poder na história da China comunista."(Os novos dirigentes) são mais educados, mais conhecedores, sabem mais a respeito do mundo, têm maior experiência política e são mais jovens", disse Chen Chuawei, da delegação de Xangai, enquanto tomava chá ao lado do auditório em que Zhu pronunciou seu discurso. "São bem adequados para nos conduzir no novo século". Zhu também propôs reformas capitalistas mais radicais, tais como maior abertura dos mercados chineses à competição estrangeira e o fechamento de empresas ineficientes. Disse que a China deveria "aprofundar a restruturação econômica e abrir-se ainda mais para o mundo exterior", criando empresas que possam competir no mercado mundial e aproveitando sua condição de membro da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Agencia Estado,

05 de março de 2003 | 16h22

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