Nova greve convocada por rebeldes maoístas pára o Nepal

As ruas estavam desertas, as lojas passaram o dia fechadas e o Exército e a polícia tinham ordens para atirar contra partidários de rebeldes maoístas nepaleses, no início de uma greve geral de cinco dias convocada pela guerrilha em todo o país. O governo do Nepal ofereceu uma alta recompensa para quem fornecesse informações que levassem à prisão dos líderes rebeldes que orquestraram a paralisação. A greve geral é uma tentativa dos rebeldes - muito influentes em cidades remotas do Nepal desde 1996 - de ampliar sua influência à capital e aos principais centros urbanos deste reino situado na Cordilheira do Himalaia. "Não haverá negociações enquanto os maoístas não renunciarem à violência", declarou hoje o ministro nepalês das Finanças, Ram Sharan Mahat. A declaração do ministro foi uma resposta a um pedido de negociação feito pelo principal Partido Comunista da União Marxista-Leninista, principal agremiação política de oposição no Nepal. Vinte e um guerrilheiros morreram em confrontos com forças de segurança nos últimos dois dias. Outras 23 pessoas foram detidas pela polícia acusadas de ajudarem os rebeldes, informou o Ministério da Defesa por meio de um comunicado. Mais de 3.000 pessoas já morreram desde que os insurgentes iniciaram sua luta para substituir a monarquia constitucional nepalesa por um governo comunista de orientação maoísta. O Ministério de Segurança Interna do Nepal informou que qualquer pessoa que entregar os líderes rebeldes Babu Ram Bhattarai, Pushpa Kamal Dahal e Mohan Vaidhya será recompensada com 5 milhões de rupias (equivalente a US$ 64.100) por cada um deles. Se as informações fornecidas levarem à posterior prisão de qualquer um deles pela polícia, os denunciantes receberão metade do dinheiro. A maior parte da população do Nepal vive com menos de um dólar por dia. Os ônibus e caminhões continuavam fora das ruas e estradas e as lojas e escolas não funcionaram na maior parte das grandes cidades do país, apesar de o governo ter prometido que garantiria a segurança das pessoas que desafiassem a greve. O Exército patrulhou as ruas de Katmandu, a capital nepalesa, e policiais armados escoltaram ônibus de turistas em direção ao aeroporto. Centenas de turistas, a maioria dos quais ficou sabendo da greve apenas após chegar ao Nepal, ficaram presos nos hotéis. Alguns abreviaram seus planos e decidiram partir hoje mesmo. Os serviços nos hotéis também foram afetados, pois muitos funcionários faltaram ao serviço. "É mais por medo do que por simpatia à causa rebelde", comentou um funcionário de um hotel que preferiu não se identificar. Apesar de o governo ter prometido compensar os donos de lojas e de carros, havia poucas pessoas nas lojas. "Se alguém jogar uma bomba contra nós, quem nos defenderá?", questionou Prachanda Shresta, vender de produtos eletrônicos. "Vamos tirar uma folga hoje. Amanhã, veremos o que fazer", disse ele, compartilhando as esperanças das pessoas de que o impacto da greve não resistirá ao segundo dia.

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