Nova greve de policiais e ameaça de saques atemorizam argentinos

Depois dos incidentes em Córdoba, agentes da Província de Catamarca paralisam atividades e invadem prédio

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2013 | 02h02

A polícia de Catamarca, no oeste da Argentina, entrou em greve ontem, protestando com violência nas ruas da capital provincial para exigir aumentos salariais. Os integrantes da força de segurança invadiram a sede do governo da Província jogando pedras e garrafas.

Os policiais foram removidos do palácio de governo pelo corpo de Gendarmeria, força especializada em dissuasão de manifestações.

Houve um princípio de enfrentamento na retomada do hall de entrada do prédio e pelo menos uma pessoa ficou ferida. A Gendarmeria usou balas de borracha para forçar os policiais a deixarem o edifício.

A greve da polícia, no entanto, provocou uma onda de medo entre os moradores de Catamarca, que temiam que a ausência das patrulhas nas ruas poderia provocar uma onda de saques aos comércios e residências, tal como ocorreu na cidade de Córdoba na terça e na quarta-feira, quando a Província também enfrentou uma greve de policiais. O tumulto em Córdoba se espalhou pelas ruas e duas pessoas morreram.

A governadora de Catamarca, Lucía Corpacci, decidiu decretar a suspensão das aulas em toda a Província e pediu o envio de 200 gendarmes adicionais ao governo da presidente Cristina Kirchner.

Na Província vizinha, La Rioja, a polícia também ameaçou entrar em greve. No entanto, o governo local, temendo uma onda de saques devido à paralisação policial, rapidamente negociou um acordo de aumento salarial com as forças de segurança.

Apesar de conseguir evitar a paralisação dos policiais, o governador Luis Beder Herrera sofreu um efeito colateral: os funcionários públicos ameaçam entrar em greve, já que também desejam aumentos salariais. "Podem protestar. Não tenho mais um peso sequer", disse o governador.

Na Província de Neuquén - famosa por seus frequentes conflitos sociais - o governo local não conseguiu um acordo com a polícia, que também decidiu paralisar as atividades. Os trabalhadores policiais declararam uma paralisação por tempo indeterminado.

O governador da Província de Mendoza, Francisco Pérez, telefonou aos prefeitos para comunicar-lhes que a situação ocorrida em Córdoba no início da semana poderia repetir-se em outras áreas do país.

Depois do alerta o governador tentou acalmar os administradores das cidades: "Por enquanto, não vislumbramos uma situação complicada".

Apagão. No município de Florencio Varela, na zona sul da Grande Buenos Aires, um apagão colocou em pânico os moradores que temeram que grupos de saqueadores poderiam agir durante a escuridão.

No entanto, o prefeito Julio Pereyra afirmou que a situação se resolveria imediatamente e pediu calma aos moradores. Por precaução, convocou um esquadrão anti-tumulto com 150 policiais.

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