AFP via KCNA
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Nova guerra na Coreia seria apocalíptica, dizem especialistas

Nas primeiras horas de um conflito, milhares de sul-coreanos de Seul perderiam a vida; mais de 1 milhão de soldados estão a 100 quilômetros da fronteira

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 18h53

SEUL - Se a crise explodisse mesmo na forma de uma guerra convencional, milhares de sul-coreanos morreriam no primeiro dia de conflito armado com a Coreia do Norte, segundo os especialistas.

O ambiente na península piorou consideravelmente desde o início de 2016 devido à intensificação dos programas balísticos e nucleares norte-coreanos, e pela escalada verbal entre o líder Kim Jong-Un e o presidente norte-americano, Donald Trump, que viajará para Seul em novembro.

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O risco de que a situação piore é real, adverte Van Jackson, ex-analista do Pentágono e atual professor da Universidade Victoria de Wellington. Durante a Guerra da Coreia (1953-1953), que deixou milhões de mortos e transformou o Sul em um campo de ruínas, Seul mudou de mãos quatro vezes.

A cidade, sede do governo sul-coreano, é atualmente uma capital tecnológica e cultural de 10 milhões de habitantes, incluindo os subúrbios. Esta população está ao alcance da artilharia norte-coreana localizada do outro lado da zona desmilitarizada (DMZ).

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Fogo pesado. Estima-se que ao longo de sua fronteira Pyongyang disponha de 10 mil peças de artilharia e de 500 mísseis de curto alcance, a maior parte deles escondida em grutas, túneis e bunkers.

A Coreia do Sul calcula que as tropas terrestres da Coreia do Norte tenham 1,1 milhão de efetivos, dos quais 70% estariam a menos de 100 quilômetros da fronteira. Por outro lado, a maioria do arsenal é de fabricação soviética ou chinesa, e provavelmente está obsoleta, indicou em 2015 um relatório do Departamento de Defesa.

Os especialistas consideram que a Coreia do Norte, que ameaça regularmente em transformar a Coreia do Sul em um "oceano de chamas", tentaria causar o máximo de vítimas durante as primeiras horas de guerra.

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A Coreia do Norte conta com pelo menos 700 canhões de 170 milímetros e lança-foguetes múltiplos de 240 milímetros capazes de alcançar Seul, declarou em 2012 o Instituto Nautilus da Califórnia, que, no entanto, não considera os equipamentos muito confiáveis.

Em novembro de 2010, as forças norte-coreanas dispararam 170 obuses e foguetes para a ilha de Yeonpyeong, no primeiro ataque contra uma zona povoada por civis desde a guerra. Um quarto dos projéteis errou o alvo.

Contra-ataque. O Instituto Nautilus estima que 65 mil habitantes de Seul morreriam no primeiro dia de uma guerra convencional, a maior parte deles nas três primeiras horas. O balanço seria de 80 mil mortos em uma semana.

"Podem matar dezenas de milhares de pessoas, começar uma guerra mais longa e causar uma quantidade enorme de danos antes que o regime caia", afirmou Roger Cavazos, do Instituto.

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Diante da possibilidade de uma guerra, a resposta dos Estados Unidos e da Coreia do Sul chegaria em questão de minutos, o que reduziria o impacto da artilharia norte-coreana e o número de vítimas no Sul. Muitos civis iriam aos milhares de abrigos que Seul possui.

De acordo com este cenário, o contra-ataque destruiria 1% da artilharia norte-coreana por hora. Com isso, grande parte dos combates teria acabado em quatro dias.

Segundo documentos oficiais sul-coreanos de 2016, Washington mobilizaria muitos efetivos: 690 mil militares, 160 navios e 2 mil aviões. Eles se juntariam aos 28.500 soldados americanos permanentes na península e a um Exército sul-coreano de 625.000 militares que ficaria sob o comando dos Estados Unidos.

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Consequências. Todas as hipóteses apontam para uma derrota do Norte, mas a que preço? O regime norte-coreano dispõe de um arsenal apocalíptico. "Tem toda uma caixa de instrumentos à qual pode ter acesso", afirma Daniel Pinkston, da Universidade Troy de Seul.

As estimativas variam entre 14 e 18 ogivas nucleares, uma cifra que poderia chegar a 100 em 2020. O Pentágono avalia que a Coreia do Norte dedique 25% de seu PIB às Forças Armadas. Os analistas divergem sobre a potência do sexto e último teste nuclear norte-coreano, realizado no início de setembro. A Coreia do Norte assegura que foi uma bomba de hidrogênio (bomba H).

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O site 38 North e a agência norueguesa Norsar consideram que esta bomba teve uma potência 16 vezes superior à de Hiroshima. Segundo o Nukemap, site que avalia os danos dos ataques nucleares, se a Coreia do Norte explodisse uma bomba como esta a 1.500 metros sobre Seul, 660 mil pessoas morreriam instantaneamente.

Um contra-ataque americano na Coreia do Norte com uma arma da mesma potência causaria 820 mil , de acordo com o Nukemap. / AFP

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