Nova jornada de protestos na França leva 100 mil às ruas

Centenas de milhares de manifestantes marcharam em cidades francesas nesta terça-feira em mais um dia de luta contra o projeto do primeiro emprego. Os organizadores esperam reunir mais de um milhão de pessoas na maior demonstração de força até agora, para exigir a derrubada da lei trabalhista que divide o país. Contudo, a paralisação parece ser menos intensa que a ação da semana passada. Sinais de uma possível brecha começaram a aparecer quando líderes trabalhistas sugeriram que poderiam negociar com legisladores, mas somente depois das manifestações de terça-feira. Por volta do meio-dia, horário local, pelo menos cem mil pessoas estavam nas ruas francesas, segundo a polícia, incluindo estudantes em Marselha e grandes marchas de Nantes, no oeste, e Saint-Etienne, no sudeste. Os protestos chegaram até a ilha francesa de Reunion, onde duas mil pessoas participaram. Estudantes fizeram barricadas nas escolas em protesto contra a medida, que facilita a demissão de jovens com mais de 26 anos. Cerca de 60 estudantes atiraram ovos e outros objetos nos policiais na cidade de Lille e pelo menos uma pessoa foi presa. A marcha em Paris promete ser a maior e organizadores esperam que o número de participantes supere o um milhão da semana passada. A polícia destacou quatro mil agentes para prevenir a violência, que surgiu em protestos anteriores. A greve nacional fechou a Torre Eiffel pela segunda vez em uma semana e obstruiu o tráfego aéreo, ferroviário e metroviário. Os parisienses que iam para o trabalho tiveram que se apertar nos limitados trens que ainda funcionavam. As lixeiras, em alguns bairros de Paris, estavam cheias devido à greve dos agentes sanitários. Negociações Os manifestantes organizaram demonstrações contra a lei por dois meses, mesmo assim o presidente Jacques Chirac aprovou o Contrato de Primeiro Emprego (CPE) no domingo, afirmando que a França precisa acompanhar a economia mundial. O presidente francês ofereceu modificações, que foram rejeitadas pelas lideranças estudantis e trabalhistas, que exigem a retirada total e não a suavização da lei. Agora que a lei foi assinada, os manifestantes tem menos espaço para suas manobras. O governo parece esperar que os protestos diminuam depois do grande evento de terça-feira, e esperam possíveis negociações entre sindicatos mais moderados e os legisladores liderados pelo ministro do Interior Nicolas Sarkozy.

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