Nova lei dificultará retiradas israelenses

Legislação, aprovada ontem, exigirá apoio de até 120 deputados para que país desocupe Jerusalém Oriental e Golan

AP, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2010 | 00h00

TEL-AVIV

O Parlamento de Israel aprovou ontem uma lei que deve dificultar negociações de paz de Israel com os palestinos e a Síria. Com o diálogo com a Autoridade Palestina (AP) já sob impasse, a legislação pretende tornar muito mais difícil a devolução de territórios ocupados por Israel, considerada ponto central para qualquer acordo futuro.

A nova lei obrigará a aprovação de 80 a 120 deputados para qualquer retirada de Jerusalém Oriental, cuja soberania é exigida pela AP, e das Colinas do Golan, que são reivindicadas pelo governo sírio. A lei foi aprovada por 65 dos 120 parlamentares; 33 rejeitaram.

O gabinete do premiê Binyamin Netanyahu apoiou a proposta. "Não há dúvida de que se trata de uma legislação dramática para o povo de Israel e para o Estado de Israel", declarou o deputado autor do projeto, Yariv Levin, membro do Partido Likud, de Netanyahu. "A lei determina que a paz deve ser feita entre povos, não apenas entre líderes", disse, antes do início das deliberações do Parlamento, que duraram sete horas.

Enquanto os palestinos exigem a o controle sobre Jerusalém Oriental, a Síria insiste em reassumir o Golan como condição para qualquer acordo de paz. As negociações haviam sido retomadas em setembro, no Egito, com mediação dos Estados Unidos. Com a recusa de Israel em remover a moratória dos assentamentos em território palestino, porém, as conversas entre israelenses e a AP acabaram suspensas.

Dificuldade. Com a aplicação da nova lei, se um acordo de paz for alcançado, será muito mais difícil para Israel abrir mão do controle sobre os territórios, já que amplos segmentos da sociedade israelense apoiam a permanência nestes locais. Jerusalém Oriental e as Colinas do Golan foram ocupadas pelo Exército israelense em 1967, na Guerra dos Seis Dias - assim como a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e o Deserto do Sinai, posteriormente devolvido ao Egito.

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