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TV Estadão | 12.07.2015
Papa evita Argentina em ano eleitoral, mas milhares de compatriotas pintam Paraguai de azul e branco TV Estadão | 12.07.2015

Se Francisco perdoou Cristina, seus fiéis não

Se nos bairros mais pobres da região metropolitana de Buenos Aires é difícil encontrar quem se atreva a opinar contra a presidente Cristina Kirchner, em um ônibus de fiéis à Igreja - e mais ainda ao papa Francisco - ocorre o contrário. 

Rodrigo Cavalheiro , Enviado especial a Caacupé, Paraguai

12 de julho de 2015 | 09h31

Uma eleição com esses eleitores teria uma vitória absoluta da oposição argentina. Entre os 40 passageiros do veículo que terá percorrido 3 mil quilômetros ao regressar a amanhã a Buenos Aires, era comum ouvir referências a uma "nova ditadura", enquanto um documentário mostrava a vida de Francisco durante o regime militar, entre 1976 e 1983. A presidente é acusada pela oposição de manter um governo autoritário, com avanço do Executivo sobre os demais poderes.

Cristina enfrentou o líder católico quando ele era arcebispo na capital argentina, recusando-se a recebê-lo. "Por baixo da camiseta branca do papa, trouxe uma do Macri para ele benzer", disse Rosa Romero, de 73 anos, referindo-se a Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, o principal candidato opositor contra o favorito, o governista Daniel Scioli, na eleição presidencial de outubro. "Não gostamos dela, mas ela tem seu público. Dizer que há mais pobre na Alemanha do que na Argentina é muita arrogância." 

"Uma de suas particularidades é que ele sempre falou o que pensava. Por isso, irritava muitos. Esse governo estendeu o vale-tudo à religião", criticou a corretora Matilde Vallejos, também passageira do ônibus.

De acordo com a biógrafa italiana Francesca Ambrogeti, que realizou dezenas de entrevistas com Francisco para uma biografia quando ele ainda era arcebispo da capital argentina, a relação entre os dois melhorou nos últimos anos. "Ele deixou claro que nunca foi um opositor. Eles já tiveram vários encontros e ele faz questão de deixar a porta aberta, porque prega pelo exemplo", diz Francesca.

"Cristina era contra o papa. E olha como ele mostra seu grande amor pelas pessoas. Ele perdoou até Cristina, que lhe negou várias audiências quando ele era arcebispo", afirmou a passageira Maria Rosa Toledo.

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