REUTERS/Kimimasa Mayama
REUTERS/Kimimasa Mayama

O NAVIO QUE AJUDOU A RECONCILIAR EUA E JAPÃO

Como a restauração do Mikasa, que venceu a Rússia em 1905, reaproximou inimigos

Felipe Corazza , O Estado de S. Paulo

29 Maio 2016 | 05h00

Barack Obama tornou-se, na sexta-feira, o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar Hiroshima. A viagem foi mais um dos símbolos que têm marcado a sólida aliança entre os ex-inimigos no Pacífico. Outro momento crucial nessa reaproximação foi conduzido, em parte, pelo próprio comandante militar que liderou as forças americanas na vitória contra os japoneses na 2.ª Guerra.

Quase 16 anos após comandar as forças dos Estados Unidos na vitória sobre o Japão no front do Pacífico da 2.ª Guerra, o almirante Chester W. Nimitz participou de um dos esforços mais importantes da época para restaurar os laços entre os dois países: a segunda restauração do navio Mikasa, nau capitânia da Marinha Imperial japonesa na guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e base flutuante do almirante Togo Heihachiro durante as batalhas navais mais importantes do conflito - chegando à mais decisiva de todas elas, a batalha de Tsushima, que selou a derrota russa. Gravemente danificado por bombardeios americanos durante a 2.ª Guerra, o Mikasa foi restaurado e reinaugurado como um museu no dia 27 de maio de 1961. 

A arrecadação de fundos para a recuperação do monstro de metal de 15 mil toneladas com seus quatro canhões de 305 milímetros foi feita por japoneses, mas a campanha se espalhou nos Estados Unidos graças à iniciativa do próprio Nimitz, que enxergou uma oportunidade de reaproximar as nações menos de duas décadas após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Na raiz do confronto que levou Nimitz, seus navios, aviões e tropas ao Pacífico, segundo muitos historiadores militares, estava o próprio Mikasa. A vitória do Japão contra os russos em 1905 em Tsushima consolidou o país como potência naval, intimidou potências como Grã-Bretanha e França sobre seus interesses na região e abriu caminho para a invasão da Manchúria, em 1931, início do conflito sino-japonês - segundo o historiador Antony Beevor, o início “informal” da 2.ª Guerra no Pacífico.

Mais de 110 anos após a vitória japonesa contra os russos, o aperto de mãos e o abraço entre Obama e o premiê japonês, Shinzo Abe, reforçou uma aliança construída sobre ruínas, tanto dos bombardeios atômicos quanto das batalhas do Pacífico e do próprio Mikasa, orgulho da Marinha japonesa. 

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