Stefan Wermuth/Reuters
Boris Johnson, prefeito de Londres, também participou do mutirão para limpar a capital inglesa Stefan Wermuth/Reuters

TRUMP E JOHNSON, POPULISTAS SIMILARES

O pré-candidato republicano e o ex-prefeito de Londres têm mesma retórica antiglobalização

Cláudia Trevisan , CORRESPONDENTE WASHINGTON

26 de junho de 2016 | 05h00

Não é apenas o penteado peculiar que aproxima o republicano Donald Trump do britânico Boris Johnson, líder do movimento pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Representantes de um emergente populismo de direita, ambos ganharam projeção com uma retórica antiglobalização crítica aos imigrantes e defensora de uma soberania nacional supostamente ameaçada pela integração regional ou mundial.

Adeptos de uma retórica inflamada e hiperbólica, ambos são acusados por adversários de explorar o medo como instrumento de promoção política. As escolhas de seus slogans reforçam suas semelhanças. Trump promove o “América primeiro”, enquanto Johnson propaga o “Grã-Bretanha primeiro”.

Os dois falam da necessidade de “retomada do controle” das fronteiras de seus países, apresentadas como uma membrana porosa incapaz de barrar uma suposta invasão de imigrantes. No caso de Trump, os que devem ser detidos são latinos, em especial os mexicanos, e muçulmanos. 

Johnson criticou de maneira explícita as posições anti-islâmicas do candidato republicano, afirmando que ela contraria o ideal americano de acolhida de pessoas independentemente de sua “raça, religião, cor ou crença”.

Barreiras. Apesar de não se referir a grupos específicos, o líder do Brexit defende a imposição de barreiras contra a imigração no momento em que a Europa experimenta a chegada de milhões de refugiados do norte da África e do Oriente Médio.

Tanto Trump quanto Johnson sustentam que seus respectivos países perderam o controle sobre as pessoas que passam por suas fronteiras, o que colocaria em risco sua própria sobrevivência. “A única maneira de retomar o controle sobre a imigração é votar pela saída no dia 23 de junho”, escreveu o britânico antes do referendo.

As propostas do bilionário americano vão além do abandono de um arranjo regional. Trump defende a deportação de 11 milhões de imigrantes que vivem sem documentos nos EUA e a construção de um muro na fronteira com o México - que seria pago pelo país vizinho. O Reino Unido é uma ilha, o que torna a ideia de um muro redundante.

No dia em que o resultado do Brexit foi anunciado, Trump estava na Escócia, para a inauguração de um campo de golfe. Ecoando outro slogan de Johnson, o magnata republicano disse que a saída da União Europeia era equivalente a uma declaração de “independência” do Reino Unido.

O candidato republicano afirmou que o mesmo poderia ocorrer nos EUA com sua eventual eleição à presidência. “Em novembro, o povo americano terá a chance de declarar de novo sua independência. Os americanos terão a chance de votar por políticas externa, de comércio e de imigração que coloquem nossos cidadãos em primeiro lugar”, disse o magnata durante a visita à Escócia. 

“Eles terão a chance de rejeitar o domínio das elites globais e abraçar mudanças reais que levem a um governo do povo e para o povo”, ressaltou Trump, que tem negócios em diferentes países e diz ser dono de uma fortuna de US$ 10 bilhões.

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