Nova ofensiva israelense contra palestinos enfurece árabes

A revolta tomou conta dos árabes de todo o Oriente Médio nesta quinta-feira por causa da mais recente ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, mas foram os governos locais que arcaram com o ônus, acusados por seus opositores de impotência por não ajudarem os palestinos sitiados pelas forças de Israel.Temendo uma onda de refugiados, o Egito impôs um toque de recolher na região de fronteira com Gaza depois de palestinos terem detonado uma mina para abrir um buraco em um muro na fronteira para tentar cruzar para o lado egípcio.Soldados do Exército do Egito alinharam-se em seu lado da fronteira enquanto policiais palestinos efetuavam disparos para o alto para impedir que o buraco no muro fosse usado pela população local.Os egípcios preparavam-se hoje para uma onda de protestos convocada pela Irmandade Muçulmana, maior rival do governo. As manifestações estão marcadas para sexta-feira.Autoridades egípcias estão em contato direto com o líder político do grupo radical islâmico Hamas, Khaled Meshal, para que tente facilitar a libertação de um soldado israelense capturado por militantes dos Comitês de Resistência Popular.Um assessor do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, comentou que autoridades egípcias e o presidente da Síria, Bashar Assad, entraram em contato pessoalmente com Meshal, mas ainda não houve resultado.Meshal pediu aos líderes árabes que entraram em contato com ele que ajudem a conter "os massacres israelenses", dizia um comunicado divulgado por seu gabinete."A situação exige que as autoridades árabes e a comunidade internacional adotem uma posição dura", disse Moussa Abu Barzouk, um importante assessor de Meshal, durante entrevista à emissora pan-árabe de televisão Al-Jazira. "Eles deveriam pressionar Israel a retirar-se das cidades e exigir que os israelenses parem de bombardear civis", declarou.A ofensiva israelense encurralou os governos de países árabes com boas relações com o Ocidente, como a Jordânia, o Egito e a Arábia Saudita. Eles receberam friamente o governo do Hamas, eleito pelos palestinos no início do ano, e pouco fizeram para contornar o boicote imposto pelos países ocidentais à Autoridade Nacional Palestina (ANP) depois da ascensão do grupo radical islâmico ao poder.Agora, esses governos enfrentam a percepção generalizada entre os árabes de que eles abandonaram definitivamente os palestinos.Protesto"Não ouvimos nem um sussurro de vocês", denunciou Mohammed Mahdi Akef, líder da Irmandade Muçulmana, em referência aos líderes árabes. "Vocês não fornecem remédios, leite nem outros produtos de primeira necessidade ao povo sitiado da Palestina. Vocês são hesitantes com relação ao governo eleito livremente por eles, pois temem a disseminação do vírus da liberdade por seus próprios pastos", prosseguiu Akef.Akef conclamou os árabes e muçulmanos a "manifestarem sua raiva com o que acontece (em Gaza) por meios pacíficos".A Irmandade Muçulmana convocou uma série de manifestações no Cairo e em outras grandes cidades egípcias depois das tradicionais orações de sexta-feira.Em Amã, capital da Jordânia, cerca de 50 pessoas realizaram um protesto pacífico. Uma faixa dizia: "Acorde, nação árabe! Salve os bebês, os idosos, nossa terra e nossa honra!"O analista político jordaniano Taher Adwan acusou os israelenses de serem "criminosos e assassinos"."O mais frustrante é que o mundo, submisso à pressão e aos subornos dos Estados Unidos, colocou os israelenses acima da lei", escreveu ele no jornal independente Al-Arab al-Yawn.A Liga Árabe, por sua vez, convocou uma reunião emergencial para manifestar "apoio urgente" aos palestinos. Mas o cientista político Abdul Khaleq Abdulla não vê alternativa."Não existe absolutamente nada que o mundo árabe possa fazer. Os palestinos foram abandonados e terão de passar por tudo isso sozinhos."

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