Nova onda de atentados mata 17 no Iraque

Aumento da violência ocorre a dois meses da retirada total dos EUA de cidades iraquianas

AP, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

Em meio a uma escalada da violência no Iraque, três automóveis carregados de explosivos foram detonados ontem em diferentes zonas comerciais da região de Bagdá. Ao todo, pelo menos 17 pessoas morreram e cerca de 70 ficaram feridas. Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques, mas suspeita-se de insurgentes sunitas.Segundo o cronograma acordado entre Washington e Bagdá, todas as tropas americanas se retirarão das cidades iraquianas no fim de junho. Mas a deterioração nos índices de violência levantou questões sobre a capacidade de o governo do premiê Nuri al-Maliki garantir a segurança.A primeira e mais mortífera explosão ocorreu na entrada do mercado de Rasheed, no sul da capital, e matou 15 pessoas e feriu 50. Um outro carro-bomba no mercado foi desativado pela polícia, informou o Ministério do Interior iraquiano.Horas depois, militantes tentaram atingir um comboio policial com um carro-bomba no bairro de Karrada, mas erraram o alvo, matando dois pedestres. Outros seis ficaram feridos. Autoridades afirmaram que uma terceira explosão ocorreu em Mossul e teria ferido sete pessoas.Embora os índices de violência tivessem sido significativamente reduzidos desde 2006, os últimos meses registraram um preocupante aumento de atentados suicidas. Em abril, foram 451 pessoas mortas, em comparação a 355 em março e 288 em fevereiro. Desde o início de 2009, ocorreram 16 grandes atentados.Funcionários do governo Maliki responsabilizaram militantes sunitas liberados recentemente de prisões americanas no Iraque pelos ataques. Washington soltou 3.322 detentos desde janeiro, alguns supostamente ligados à Al-Qaeda. A maior parte das ações foi cometida em áreas predominantemente xiitas e peregrinos - entre eles, iranianos - têm sido alvo frequente de militantes.Apesar da pressão para que Bagdá renegocie o cronograma de retirada dos EUA, o governo Maliki rejeitou qualquer possibilidade de estender a presença americana em cidades iraquianas para além de 30 de junho.A ideia tampouco agrada aos EUA, preocupados em enviar novos contingentes ao Afeganistão. Todas as tropas devem deixar o território iraquiano até 2011, segundo acordo firmado ainda no governo George W. Bush com Bagdá.

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