Mohammed Saber/Efe
Mohammed Saber/Efe

Nova onda de violência no Cairo deixa nove mortos

Opositores e partidários do presidente deposto, Mohamed Morsi, entraram em confronto

O Estado de S. Paulo,

23 de julho de 2013 | 06h28

(Atualizada às 16h40) CAIRO - Confrontos entre opositores e partidários do presidente deposto do Egito, Mohamed Morsi, deixaram nove pessoas mortas no Cairo nesta terça-feira, 23, informou a mídia estatal.

A violência começou antes do amanhecer perto de um protesto da Irmandade Muçulmana na Universidade do Cairo, onde partidários de Morsi estão acampados desde que o Exército deu um golpe de Estado e depôs o político islâmico em 3 de julho. A Irmandade descreveu o incidente como um ataque a manifestantes pacíficos.

Fontes policiais disseram que centenas de partidários do presidente deposto entraram em confronto com moradores locais, vendedores ambulantes e outras pessoas perto do acampamento. Tiros foram disparados e pedras foram lançadas, acrescentaram as fontes.

Com a Irmandade prometendo continuar nas ruas, o banho de sangue foi um exemplo recente da instabilidade enfrentada pelo Egito enquanto o governo interino recém-instalado segue uma agenda apoiada pelo Exército em direção a eleições em cerca de seis meses.

O jornal estatal Al-Ahram disse, citando um oficial do Ministério da Saúde, que nove pessoas tinham sido mortas e 33 feridas. Outros dois feridos nos confrontos de segunda-feira morreram, elevando o número total de mortos em dois dias de conflito para 11.

Ao menos 15 carros queimados foram deixados ao redor da Universidade do Cairo, onde os confrontos aconteceram. Manchas de sangue e vidros quebrados desfiguravam as calçadas perto da área de comércio, onde uma delegacia de polícia do trânsito foi incendiada.

Membros da Irmandade guardavam munidos de paus a entrada do local de protesto depois que os confrontos se acalmaram, enquanto moradores paravam carros no caminho para a Universidade do Cairo em busca de armas.

Cerca de 100 pessoas morreram na violência desde que o Exército deu um golpe de Estado e depôs Morsi. O presidente foi substituído por uma administração interina liderada por Adli Mansour, chefe do tribunal constitucional.

O grupo afirmou em seu site que sete "mártires" tinham sido mortos durante a noite em dois ataques separados contra partidários de Morsi, um na Universidade do Cairo e outro durante uma marcha perto de um protesto no norte da cidade.

A Irmandade promete manter sua vigília até que o presidente deposto, mantido em um local desconhecido desde que o Exército pôs fim a seu primeiro ano no poder como o primeiro presidente livremente eleito do Egito, seja reempossado. "Líderes do golpe militar continuam a aterrorizar os manifestantes pacíficos no Egito", disse o Partido da Justiça e Liberdade da Irmandade em um comunicado./ REUTERS

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