Nova Orleans ainda corre perigo, diz ex-diretor de agência de emergência

Para ele, EUA devem se inspirar em países como a Holanda, com um sistema contra inundações.

Alessandra Corrêa, BBC

27 de agosto de 2010 | 07h51

A cidade de Nova Orleans, assim como outras nos Estados Unidos, ainda corre perigo de ser atingida por um desastre das proporções do Katrina, que devastou a região há cinco anos, disse à BBC Brasil o ex-diretor da Fema, a agência que coordena situações de emergência nos Estados Unidos, Michael Brown.

Muito criticado por sua atuação durante a passagem do furacão, Brown renunciou ao cargo em setembro de 2005, menos de um mês após a tragédia, e ainda hoje é lembrado por muitos como um símbolo da ineficiência do governo americano durante o episódio.

Nesta quinta-feira, às vésperas do aniversário de cinco anos do Katrina, ele caminhava pela região do Lower 9th Ward, uma das áreas mais atingidas pelo furacão que matou milhares de pessoas e deixou mais de 200 mil casas danificadas em Nova Orleans.

"Vou deixar o julgamento (sobre sua atuação) para os outros. Meu trabalho é chamar a atenção para o fato de que esse tipo de desastre pode continuar a acontecer", diz Brown.

Lição

Segundo ele, a cidade aprendeu que não se pode brincar com um furacão das proporções do Katrina.

"A menos que seja (um furacão) muito pequeno, é preciso evacuar a cidade", diz Brown, que hoje comanda um programa de rádio no Estado do Colorado.

O Katrina atingiu Nova Orleans em 29 de agosto de 2005. Um dia depois, os diques na beira do rio Mississippi se romperam com a força do furacão, deixando a cidade embaixo d'água.

Brown diz que, após o furacão, houve expectativa grande demais em relação à Fema.

Afirma ainda que faltou comunicação entre a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna.

Segundo Brown, os Estados Unidos deveriam se inspirar em exemplos de outros países, como a Holanda, que têm um sistema contra inundações.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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