REUTERS/Kathleen Flynn
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Nova Orleans reabre, mas turistas e moradores hesitam em retornar

Três grandes hotéis na Bourbon Street continuam fechados e alguns bares atendem poucos clientes que começam a sair de suas casas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 05h00

NOVA ORLEANS - Em uma típica noite de sábado, conseguir uma cobiçada mesa com vista para a Bourbon Street, no French Quarter, seria quase impossível. Mas lá estavam Mariah Castille e Tyler Labiche, compartilhando batatas fritas e molhos, um tanto atordoados com quase tudo nessa noite.

Era o primeiro dia da fase 1 - quando a ordem de permanência em casa foi cancelada e Nova Orleans (Louisiana) deveria começar a voltar à vida após a paralisação pela pandemia do novo coronavírus. Pela primeira vez em dois meses, a maioria das empresas foi autorizada a abrir. Restaurantes e bares que servem comida podem acomodar clientes em até 25% da sua capacidade.

Depois de uma temporada de festivais de música cancelados, isolamento social, doença e morte, era hora de começar a festa novamente. Labiche e Castille haviam escapado de um fim de semana em sua casa em Lafayette, a duas horas de distância.

"Nós pensamos que no primeiro dia de volta, este lugar estaria lotado", disse Labiche. "É um dos maiores lugares de festa do planeta." Três dos 147 assentos do restaurante estavam ocupados naquele momento.

Os turistas também eram escassos. Somente na Bourbon Street, três grandes hotéis com centenas de quartos cada estavam fechados.

As ruas do bairro francês estavam vazias o suficiente para que meia dúzia de jovens mulheres de bicicleta e bastões luminosos descerem o centro da Bourbon Street. Seus gritos animaram brevemente a noite.

Ao anunciar a Fase 1 de uma reabertura restrita na cidade, na semana passada, a prefeita de Nova Orleans, LaToya Cantrell, disse que estava equilibrando a saúde pública com as necessidades econômicas. Um conjunto semelhante de diretrizes da Fase 1 foi estabelecido pelo governador John Bel Edwards (democrata) para o restante da Louisiana, que entrou em vigor um dia antes.

Muitas empresas estão sedentas por isso. Caminhões de comida e cerveja começaram a aparecer na cidade na semana passada, abastecendo alguns restaurantes e bares.

Mas, como sinal da natureza ambivalente dessa reabertura, vários empresários disseram que passariam essa oportunidade por enquanto. Para eles, ainda é muito cedo para atrair clientes com segurança e fazer os funcionários cozinharem em cozinhas apertadas. Segundo eles, não tem sentido econômico operar com 25% da capacidade, o que na verdade representa perda de dinheiro.

"Queremos permanecer relevantes, queremos que as pessoas não se esqueçam de nós, mas também precisamos preservar nosso capital, porque esse será um tipo de acordo de longo prazo", disse Archie Casbarian, co-proprietário da Arnaud's, um restaurante com mil lugares, próximo à Bourbon Street, que se junta a vários dos restaurantes mais sofisticados da cidade e continua fechado.

Para muitos outros, o dia da reabertura começou com grandes esperanças. Na Estrella Steak & Lobster House, perto da orla, o proprietário Amer Bader reuniu uma equipe de quatro pessoas para uma conversa animada antes da abertura.

Os funcionários assumiram suas posições, e esperaram duas horas pelo primeiro cliente - John Simpson, de 37 anos, funcionário de uma companhia de petróleo. "Quero apoiar New Orleans e o Bairro Francês", disse ele. "Acho que é hora de mais pessoas saírem de suas casas."

Alguns poucos personagens familiares também se aventuraram na volta: havia um único leitor de cartas de tarô na Jackson Square, onde dezenas de artistas de rua e músicos costumavam atender turistas.

O vendedor do Lucky Dog Nathan Neal montou seu carrinho em forma de cachorro-quente, que ficou famoso pelo romance "A Confederacy of Dunces", do lado de fora de uma farmácia na Royal Street. Ele havia vendido apenas três cachorros-quentes no início da noite em comparação com uma noite típica em que vendia pelo menos 60. "Mas eu prefiro estar aqui sem fazer nada do que ficar em casa sem fazer nada." / WASHINGTON POST

 

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