Nova primeira-dama argentina é comparada com Evita

A nova primeira-dama argentina causou assombro quando colocou sua assinatura ao lado da de seu marido Eduardo Duhalde durante a cerimônia oficial de posse. Nenhuma primeira-dama havia tão claramente exposto sua marca desde Eva Perón, murmuraram alguns argentinos. O fato ocorreu na quarta-feira passada. Na segunda-feira "Chiche", como é conhecida Hilda Duhalde, estava presente às reuniões de gabinete. Espera-se que a nova primeira-dama se encarregue de executar as políticas sociais, agora mais do que nunca relevantes para um governo que chegou ao poder em meio a pior crise econômica do país e a uma explosão social. Consciente da revolta popular que levou à renúncia do ex-presidente Fernando de la Rúa, que venceu Duhalde nas eleições de 1999, o novo presidente deve encontrar soluções para dezenas de milhares de argentinos mergulhados na pobreza nos últimos meses. Seguindo a tradição populista dos peronistas, Duhalde já prometeu um pagamento de 200 pesos mensais para os chefes de família que não tenham emprego. Também ofereceu programas de capacitação para aproximadamente um milhão de argentinos necessitados. Hilda Duhalde, de 54 anos e mãe de 5 filhos, tem uma ampla experiência trabalhando pelos pobres. Durante vários anos, na província de Buenos Aires, onde Duhalde era governador, ela foi a rainha das classes populares, ao estilo de Evita, quando Juan Domingo Perón assumiu a presidência argentina em 1945. Duhalde destinou mais de US$ 80 milhões anuais para os projetos comunitários de sua esposa, levados à prática com a ajuda das "manzaneras" - mães de família que coordenavam a distribuição de pão, leite, ovos e medicamentos às pessoas mais necessitadas em seus respectivos blocos habitacionais. Quando Duhalde deixou o governo para candidatar-se à presidência em 1999, sua esposa havia reunido um exército de aproximadamente 20.000 "manzaneras", ou voluntárias "de quarteirão". Embora seus adversários a tenham acusado de "evitismo" por tentar seduzir os eleitores pobres com programas sociais populistas - similares aos utilizados por Eva Perón para ganhar o fervor dos "descamisados" -, "Chiche" não conseguiu ganhar uma cadeira de deputada nas eleições de 1997. No entanto, agora, ela se tornou primeira-dama. Católica fervorosa, "Chiche" tem por modelos Evita e Madre Teresa de Calcutá. Embora negue ser imitadora de Eva Perón os observadores consideram que ela escolheu sua imagem com base na primeira-dama morta em 1953. Seu antigo escritório no governo provincial era decorado com imagens de Evita, e "Chiche" certa vez relatou que na noite da morte de Evita ela e sua mãe se abraçaram e choraram. Silvia Naishtat, uma editora do jornal Clarín de Buenos Aires, diz que Duhalde e sua mulher representam o peronismo da velha guarda, procedente da zona pobre de Buenos Aires, onde surgiu. Na opinião de Naishtat, apesar da discrição de "Chiche" sobre o tema, ela gosta de ser comparada a Evita, e é a principal conselheira de Duhalde. O casal se conheceu há 30 anos, em uma piscina de Buenos Aires onde Duhalde trabalhava como salva-vidas para pagar seus estudos de direito. "Chiche" se formou como professora. A primeira-dama refletiu seu estilo sóbrio em seus vestidos e na decisão de não se mudar para a elegante mansão presidencial de Olivos, segundo alguns meios de comunicação argentinos. Leia o especial

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 14h56

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