Nova primeira-dama da China rompe com o passado

Artista renomada, Peng Liyuan ocupa um lugar diferente das discretas mulheres de líderes que sucederam a Mao

ADAM MINTER, BLOOMBERG NEWS, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h03

Famosa cantora folclórica e mulher do presidente Xi Jinping, Peng Liyuan tem um visual chique, elegante e decididamente local. Desde 22 de março, quando apareceu num aeroporto de Moscou de braço dado com seu sorridente marido, que fazia sua primeira viagem internacional no cargo, os comentários sobre ela se multiplicaram. Comparada a suas antecessoras quase invisíveis, Peng é uma visão dos tempos modernos chineses - e o moderno povo chinês, ao que parece, a está adotando.

Pelos padrões da diplomacia e das viagens de chefes de Estado, o aparecimento de uma primeira-dama bem penteada ao lado de Xi não é nada especial. Há muito que elas se vestem bem para as câmeras ostensivamente focadas em seus maridos.

Mas líderes chineses contemporâneos e suas mulheres raramente tomaram parte nesse teatro, em parte pela carga da história maoista. Jiang Qing, mulher de Mao Tsé-tung durante sua ascensão e governo, teve papel-chave no crime que foi a Revolução Cultural. As mulheres de sucessores de Mao, cientes do papel público e da desgraça que recaiu sobre Jiang - e a China como um todo - raramente eram vistas e quase nunca ouvidas.

Quando Peng se casou com Xi, em 1987 (seu segundo casamento), ela já era uma celebridade, tendo conquistado uma reputação de artista com afinação perfeita na televisão chinesa. Seguiram-se oportunidades de gravação e outra aparições, como promoções dentro do braço civil do Exército de Libertação Popular.

Hoje, ela é major-general e tem um papel como Embaixadora da Boa Vontade para Tuberculose e HIV/aids na Organização Mundial de Saúde. É um currículo formidável para uma primeira-dama, o que fez muitos se perguntarem: essa mulher também seria relegada às sombras?

Quando Peng saiu do avião em Moscou, ficou claro que ela ao menos pareceria um tipo diferente de primeira-dama. Aliás, simplesmente estar ali significou uma afastamento da atitude antiga na China de esconder a mulher.

Nem a imprensa chinesa, nem o público parecem saber o que fazer com esse progresso./ TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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