AFP PHOTO / Leopoldo LOPEZ AND EVARISTO SA
AFP PHOTO / Leopoldo LOPEZ AND EVARISTO SA

Nova prisão de líderes opositores põe Venezuela na mira de mais sanções

Tribunal Supremo de Justiça diz que Leopoldo López e Antonio Ledezma descumpriram normas da prisão domiciliar e planejavam fugir do país; analistas acreditam que radicalização é uma forma de Maduro se preparar para o isolamento internacional

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 05h00

CARACAS - Menos de 48 horas depois da votação da Assembleia Constituinte, o chavismo ampliou ontem a repressão contra a oposição e revogou a prisão domiciliar de dois líderes da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD). Antonio Ledezma e Leopoldo López voltaram para o presídio militar de Ramo Verde, escoltados pelo Serviço Secreto chavista (Sebin). 

Analistas venezuelanos acreditam que o governo está radicalizando o discurso e as ações para se preparar para as sanções que a comunidade internacional pode impor ao país nos próximos meses, bem como para o aumento das mobilizações de rua contra o chavismo. 

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, disse ontem que a prisão dos opositores é alarmante e Washington avalia retaliações. “Estamos muito preocupados. Isso pode provocar nova onda de violência no país”, disse. “Do ponto de vista humanitário, a crise está piorando e estamos avaliando todas as opções.” Na segunda-feira, o governo americano congelou ativos e proibiu empresas do país de fazer negócios com Maduro.

Também ontem, o subsecretário do Departamento de Estado para assuntos de América Latina, Michael Fitzpatrick, afirmou que as detenções de López e Ledezma podem, de fato, levar a mais punições por parte dos EUA. “Estamos muito preocupados não apenas com eles, mas também com os mais de 400 presos políticos que há no momento na Venezuela.” 

Para Luis Vicente León, do Instituto Datanálisis, o aumento da repressão chavista tem relação direta com a necessidade de reduzir riscos internos, especialmente diante dos riscos a médio prazo relacionados à dívida da PDVSA e possíveis novas sanções dos EUA. “Essa reação dura não é natural. Era de se esperar que, depois da Constituinte o clima de tensão amainasse um pouco”, disse. “O governo se prepara para o isolamento internacional e tenta manter seus quadros coesos diante de um inimigo externo.”

A mulher de López, Lilian Tintori, divulgou um vídeo da câmera de segurança da casa da família, que mostra quatro agentes e três homens com trajes civis no momento em que eles colocam o líder político em uma viatura com identificação do Sebin e o levam, escoltado por outros veículos. Líderes opositores e a imprensa divulgaram imagens gravadas com um telefone celular do momento em que Ledezma foi retirado, de pijama, com violência de sua casa. 

Segundo o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), ambos foram presos porque planejavam fugir e deram diversas declarações de teor político – algo que violaria as regras da prisão domiciliar, ainda segundo o Judiciário venezuelano. 

“Recebemos por fontes da inteligência oficial informação de um plano de fuga desses cidadãos, pelo que, com a urgência do caso, foram ativados os procedimentos de resguardo correspondentes”, afirmou o TSJ, em nota. “Vale a pena lutar pela Venezuela. Não enfraqueçamos em nossa luta”, disse López em mensagem por vídeo gravada no dia 17, quando ele estava em prisão domiciliar, e divulgada ontem. Na mensagem, ele diz também que sua mulher está grávida. 

Reação. Ontem, o Itamaraty pediu em nota que o presidente venezuelano liberte imediatamente os opositores. “O governo brasileiro repudia a detenção dos dois principais opositores ao governo e considera que isso se trata de mais uma demonstração da falta de respeito às liberdades individuais e ao devido processo legal, pilares essenciais de um regime democrático”, diz a nota. / LUIZ RAATZ, COM AFP, EFE e W. POST

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