AP Photo/Martin Mejia
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Nova procuradora entra em rota de colisão com presidente do Peru

Zoraida Ávalos assumiu cargo ontem e criticou proposta presidencial de intervenção no Ministério Público peruano

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2019 | 20h43

LIMA - A nova procuradora-geral do Peru, Zoraida Ávalos, criticou nesta quarta-feira uma legislação proposta pelo presidente peruano, Martín Vizcarra, para reformular a Procuradoria, advertindo que a medida violaria a autonomia da instituição. As críticas colocaram Zoraida em rota de colisão com Vizcarra, dando sinais de que a crise política que vive o país está longe do fim.

Zoraida garantiu que enviará ao Congresso seu próprio projeto de lei para fortalecer a confiança no Ministério Público, que ficou comprometida depois que o antigo procurador-geral, Pedro Chávarry, tentou demitir dois importantes promotores que lideram a investigação de corrupção envolvendo a Odebrecht, na semana passada. Ele renunciou ao cargo na terça-feira.

Os comentários de Zoraida refletem o argumento de críticos que têm acusado Vizcarra de ultrapassar os limites do cargo, à medida que busca políticas para combater a corrupção enraizada em uma das economias mais dinâmicas da América Latina.

Vizcarra propôs a legislação, que mudaria a estrutura da Procuradoria, depois que Chávarry, inicialmente, rejeitar renunciar.

Esse projeto foi proposto em razão da crise que vivíamos”, disse Zoraida. “Mas acho que é um projeto de lei que viola a estrutura constitucional da Procuradoria. É uma ingerência entre poderes.”

O gabinete de Vizcarra não comentou as declarações de Zoraida. Ex-vice-presidente do Peru, Vizcarra tem feito do combate à corrupção o foco de seu governo, após assumir, no ano passado, em substituição a Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou após um escândalo de corrupção.

Vizcarra havia pedido repetidamente a renúncia de Chávarry, mas não tinha poderes para demiti-lo diretamente. De acordo com a Constituição peruana, apenas o Congresso, onde Chávarry tinha apoio da maioria, poderia removê-lo do cargo. / AFP e REUTERS

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