Nova proposta de lei de imigração anima brasileiros

Desde que as discussões no Senado americano para a aprovação de uma nova lei de imigração ganharam as páginas dos jornais no início da semana, o telefone do escritório da advogada brasileira Norka Schell, em Newark, New Jersey, não pára de tocar. A grande procura, ela explica, foi motivada pelo temor de que um texto que criminalize os imigrantes ilegais no país seja aprovado pelos senadores. Isso, no entanto, parece não preocupá-la. Acostumada a atender imigrantes brasileiros que precisam regularizar sua situação nos EUA, Norka está confiante de que a nova legislação sobre o tema, que deve ser votada em abril pelo plenário do Senado americano, mantenha uma posição mais branda, seguindo o texto proposto pela Comissão Judiciária do Senado na segunda-feira. ?A proposta do Senado é justa. O imigrante que se encontra nesse país em situação irregular terá o direito de buscar a legalização. E é preciso deixar claro que isso não é anistia. Ele vai ter que se enquadrar em um comportamento adequado, pagar impostos e não pode ter ficha criminal?, resume. Caso este texto seja mantido pelo plenário do Senado (e depois aprovado pela Casa dos Representantes), histórias como a do mineiro Nilson Silva, que esperou quase seis anos e gastou US$ 9 mil para conseguir seu Green Card, não devem se repetir. Há cerca de 16 anos nos EUA, Silva só conseguiu seu visto definitivo na semana passada. Ele conta que, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, a vida dos imigrantes no país ficou mais difícil. E isso mesmo sem a aprovação de uma nova lei de imigração. ?Fiquei quase 8 meses sem emprego. E quem está sem documentação hoje em Estados como Nova Jersey, além de não conseguir trabalho, corre o risco de ser pego pela polícia e deportado?, diz Silva. Ele acrescenta que ultimamente até mesmo a cooperação entre brasileiros está prejudicada, pois quem é pego ajudando imigrantes ilegais corre o risco de perder o Green Card. O relato de Silva é um sinal de que mesmo sem a aprovação de uma nova lei de imigração, os reflexos dos atentados terroristas aos EUA foram responsáveis por uma reviravolta na maneira como os americanos vêem os ilegais. Não à toa, no ano passado, a Câmara dos Representantes (deputados) aprovou um texto para a lei de imigração que, entre outras coisas, classificava como criminosos todos os cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país. A medida revoltou os imigrantes, que saíram às ruas aos milhares. Pressionada, a Comissão de Justiça do Senado, que se reuniu segunda-feira para discutir o assunto, derrubou a medida. ?Esse ato votado pela Câmara foge à característica do que são os EUA. Não faz sentido?, opina Norka.

Agencia Estado,

30 Março 2006 | 21h23

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