Nova proposta do Taleban pode indicar busca por saída

Aviões norte-americanos iniciaram neste domingo a segunda semana de ataques ao Afeganistão com um dos mais intensos bombardeios, durante várias horas, contra a cidade de Kandahar - QG do Taleban -; a capital, Cabul; e posições nas montanhas ao norte dessa cidade, para onde a milícia transferiu artilharia pesada. Foi destruída a central telefônica de Cabul, um dos últimos meios de comunicação do país com o mundo. Em meio aos ataques, o vice-primeiro-ministro afegão, Abdul Kabir, o terceiro na hierarquia do regime, propôs aos Estados Unidos a entrega do saudita Osama bin Laden a uma corte neutra num terceiro país ou seu julgamento em território afegão, desde que o governo norte-americano apresente provas da participação dele nos atentados do dia 11 de setembro e pare de bombardear o Afeganistão. "Teria de ser um país que não seja pressionado pelos Estados Unidos", disse Kabir a 17 repórteres estrangeiros. O porta-voz do presidente George W. Bush, Ari Fleischer, respondeu: "Não há negociações com o Taleban sobre Osama bin Laden". Antes dos bombardeios, o Taleban se oferecera para julgar Bin Laden num tribunal islâmico, no Afeganistão, se houvesse provas contra ele. Os EUA rechaçaram repetidas vezes as ofertas de negociação do Taleban e insistem em que a milícia deve entregá-lo incondicionalmente, bem como os demais dirigentes da Al-Qaeda - a organização comandada por ele - escondidos no território afegão. Não se sabe, porém, se a milícia taleban teria controle sobre o terrorista saudita. Embora não tenha sido a primeira vez que o regime afegão propõe negociações, o fato de a sugestão ter sido formulada por um alto dirigente a correspondentes estrangeiros, e no mesmo dia em que o Taleban fez um chamamento à oposição para "juntarem forças contra o invasor estrangeiro", indica o desespero da milícia por uma saída para a guerra. O regime afegão expulsou todos os jornalistas estrangeiros, mas hoje autorizou um grupo a entrar brevemente no país para visitar a destruída aldeia de Khobar, para que mostrem ao mundo que os bombardeios atingem civis. Um capitão do porta-aviões norte-americano Enterprise informou neste domingo que foram destruídos todos os objetivos principais no Afeganistão e agora os militares estão atacando os secundários, não visados num primeiro momento ou onde houve falhas. No sábado, Bush disse que a operação Liberdade Duradoura entraria numa nova fase, com helicópteros e forças especiais em terra. A revista norte-americana US News and World Report assinala em sua edição desta semana que a Casa Branca concordou em fornecer ajuda militar à oposição armada afegã agrupada na Aliança do Norte - e acampada a 40 quilômetros de Cabul. O porta-voz da aliança, Haron Amin, apresentou ao alto assessor de segurança nacional norte-americano Zalmy Khalizad uma lista de armamentos que inclui helicópteros, fuzis e tanques. Eles querem equipamentos russos, que estão acostumados a usar. Segundo a revista, a Rússia fornecerá as armas, e Washington pagará a conta. O diário The Washington Post revela que as forças norte-americanas vão atacar repetidamente a 55ª Brigada da milícia Taleban, uma força de assalto composta principalmente de vários milhares de árabes e outros estrangeiros.

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