AFP PHOTO / ADALBERTO ROQUE
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Nova reunião entre Cuba e EUA tentará superar divergências

Em meio ao processo de reaproximação, Havana e Washington tentarão acertar datas para reabertura de embaixadas

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2015 | 02h01

Negociadores americanos e cubanos tentarão amanhã superar divergências sobre os passos a serem dados para o restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, um processo que se revelou mais difícil do que o antecipado por Washington.

Se não houver avanços concretos nas conversas, é pouco provável que a abertura das respectivas embaixadas possa ser anunciada antes da Cúpula das Américas, em abril, da qual participarão os presidentes Barack Obama e Raúl Castro.

Os dois lados chegam à mesa de negociação com expectativas distintas. Os EUA querem centrar as conversas em temas relativos ao funcionamento de embaixadas e prerrogativas de diplomatas, enquanto Cuba pretende discutir a retirada do país da lista de nações que apoiam o terrorismo e a falta de acesso a serviços bancários de sua representação na capital americana.

"Esperamos receber respostas", disse ontem em Havana o subdiretor para América do Norte da chancelaria cubana, Gustavo Machín, de acordo com relatos da imprensa oficial da ilha. No entanto, é pouco provável que elas sejam dadas amanhã. Segundo uma autoridade do governo americano, o processo de retirada de Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo está em andamento e não tem vinculação com as negociações para o restabelecimento de relações diplomáticas.

Há mais de um ano, a Seção de Interesses de Cuba em Washington está sem acesso a serviços bancários, em razão da inclusão do país nessa relação. "Cuba é o país contra o qual existe o maior número de sanções americanas no mundo. Isso afeta sua interação com os bancos, que temem fazer qualquer coisa que possa contrariar a legislação americana", disse a mesma fonte do governo dos EUA.

Para os americanos, a falta de acesso a serviços bancários não é um empecilho para a abertura da embaixada cubana em Washington. Eles reconhecem, porém, que a situação não é "conveniente nem segura". A fonte disse que seu governo tem procurado ajudar Cuba a superar o problema e a encontrar uma instituição financeira que aceite realizar transações com o país, mas ressaltou que o governo não pode constranger os bancos nem suspender a aplicação das leis relativas às sanções.

A negociação de amanhã é a segunda entre os dois países desde que Obama e Raúl Castro anunciaram a decisão de restabelecer as relações diplomáticas, no dia 17 de dezembro. Como parte das negociações, os EUA se comprometeram a rever a inclusão de Cuba na lista dos que apoiam o terrorismo - os outros são Irã, Sudão e Síria.

A retirada depende de um processo administrativo e de uma decisão do presidente, que deve comunicar sua posição ao Congresso. Depois, são necessários 45 dias para que a medida entre em vigor.

Do lado americano, as conversas de amanhã serão comandadas pela secretária-assistente para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Roberta Jacobson. A representante cubana é Josefina Vidal, chefe da divisão que trata de Estados Unidos no Ministério das Relações Exteriores cubano. Outro tema da agenda será a definição de datas para realização de diálogos sobre temas específicos, entre os quais direitos humanos.

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