Nova rota da cocaína redesenha mapa do crime

Partindo de países como Colômbia, Peru e Bolívia, passando pelo México e com escala em países africanos, a nova rota de fornecimento da cocaína - e a guerra contra ela - vem semeando o caos no seu caminho. No Peru, a droga ressuscitou a guerrilha Sendero Luminoso, trocando a ideologia maoista por cultivos de coca e contatos com os cartéis mexicanos, o que levou a produção de cocaína a seu mais alto patamar em uma década, segundo dados divulgados nos Estados Unidos. Na Colômbia, novos grupos, usando nomes como Águias Negras, vêm preenchendo à força o vazio deixado pela investida do governo contra as milícias de direita e as guerrilhas de esquerda, que tradicionalmente controlaram o tráfico da cocaína no país. A produção está aumentando após ter sido controlada no início da década. "Os negócios passaram dos senhores da droga para os senhores da guerra, e agora são controlados pelos senhores das gangues", disse Aldo Lale-Demoz, do escritório da ONU em Bogotá. Na Bolívia, o cultivo da coca cresceu 5% em 2007, muito menos que na Colômbia. A estratégia adotada pelo presidente Evo Morales, plantador indígena de coca e um crítico de Washington, foi excepcional: expulsou agentes americanos em ação contra o narcotráfico, permitiu que os agricultores plantassem coca para uso medicinal e chás, e ordenou às forças de segurança que erradicassem o subproduto cocaína. Bogotá pretende fazer lobby na reunião de cúpula da ONU em Viena, esta semana, em favor da descriminalização da folha de coca. Os traficantes são extremamente versáteis. Os cartéis da era de Pablo Escobar dependiam muito dos aviões. Hoje, o meio de transporte preferido são os barcos velozes, que conseguem deixar para trás as patrulhas da guarda costeira; e os submarinos de fibra de vidro, que escapam dos radares. As rotas evoluíram, com a exploração de pontos onde não há controle das forças de segurança. A Venezuela tornou-se uma rota, com 282 toneladas de cocaína colombiana passando por ali em 2007, quatro vezes mais que em 2004, segundo autoridades americanas.A África Ocidental serve de escala para grande parte da cocaína destinada ao mercado europeu. Calcula-se que entre um terço e 50% da cocaína destinada à Europa passe pela África Ocidental. Guiné-Bissau, cujo presidente foi assassinado na semana passada, tornou-se um importante narcoestado.Recentemente, a Colômbia despachou agentes da polícia de narcóticos para a África Ocidental e recebeu representantes policiais de sete países africanos.THE GUARDIAN

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