Nova tática no Iraque já rende frutos, diz general dos EUA

O general americano John Keane disse nesta terça-feira, 20, que acredita que a tática recém-empregada pelos Estados Unidos no Iraque já ´´começa a dar sinais de sucesso´´. Keane foi um dos formuladores da nova política americana para o Iraque, que estabeleceu o envio de mais de 21,5 mil soldados ao país e a intensificação de operações nos arredores de Bagdá e na volátil província de Anbar, onde estariam concentrados sunitas insurgentes ligados à rede Al-Qaeda. ´´Sei que é tarde, mas vencer ainda é uma opção. Se não pensasse assim, não teria aconselhado o presidente Bush a mudar de estratégia. Voltei do Iraque há duas semanas e vi sinais de início do sucesso da nova tática´´, disse Keane. O general serviu o Exército por 37 anos, tendo comandado tropas que lutaram no Haiti, Somália, Bósnia e Kosovo. Ele está atualmente na reserva, mas segue como consultor do Departamento de Defesa. Keane também esteve envolvido na elaboração do documento formulado pelo Grupo de Estudos do sobre Iraque. Indícios positivos Entre os indícios positivos que o militar diz ter observado em sua visita ao Iraque estão recentes sucessos militares. Nas últimas semanas, os americanos mataram líderes de milícias xiitas e capturaram centenas de guerrilheiros. ´´Os líderes que permaneceram se dispersaram pelo país e instruíram seus subordinados a não nos enfrentar. Isso indica que estamos no caminho certo, mas ainda não garante que teremos sucesso.´´ O militar afirma também que o plano de concentrar esforços em Anbar também rendeu resultados. ´´As lideranças locais estão rejeitando a insurgência sunita e a Al-Qaeda.´´ Ações iraquianas O sucesso, no entender do general, depende também de ações concretas do governo do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. Keane elogia recentes ações do premiê, como a promoção do diálogo com insurgentes sunitas, que estariam buscando a reintegração à vida política do país. Ele acrescenta ainda que Maliki vem conduzindo de forma hábil a revisão do processo de exclusão de representantes do Partido Baath na vida política do Iraque. A agremiação política, que contava com maioria de muçulmanos sunitas, controlava o país no período de Saddam Hussein. Pouco após a invasão americana, a administração interina americana realizou um processo de ´´desbaatificação´´, que muitos hoje consideram excessivo e equivocado, pois excluiu do processo político e até do mercado profissional sunitas que eram filados ao Partido Baath por necessidade e não por convicção. ´´Se conseguirmos fazer com que os sunitas reduzam a insurgência, o nível de violência irá cair. Porque foram os sunitas insurgentes que deram início à violência sectária. Isso, em contrapartida, também irá reduzir a agressividade das milícias xiitas.´´ No entender do general, o passo seguinte dos americanos deverá ser o de ´´garantir a segurança da população de Bagdá em sua plenitude. Assim que a segurança for retomada, precisamos trazer de volta para as vizinhanças sunitas da cidade aqueles que foram expulsos por milícias xiitas´´. Reconstrução Com a redução da onda de violência, diz o general, os Estados Unidos poderão retomar operações de reconstrução da infra-estrutura do país. ´´A segurança é uma precondição necessária para o progresso político e social e para o desenvolvimento econômico. Sem segurança não se avança em nenhuma dessas áreas. Deveríamos ter constatado isso no início, mas não o fizemos.´´ Outro dos erros dos americanos, comenta, foi que ´´subestimamos muito o inimigo contra o qual estamos lutando. Mas agora demos uma guinada completa´´. O general acredita que uma vez estabilizado o Iraque, os Estados Unidos já poderão começar a traçar planos para a retirada de seus soldados. Mas julga ser impossível, no momento, estabelecer um cronograma para retirar as tropas. Keane é contrário também ao projeto do Partido Democrata de fazer com que os soldados americanos saiam do Iraque já a partir do ano que vem. ´´Isso seria uma receita para o desastre. O inimigo só precisaria esperar a nossa saída para provocar o colapso do governo iraquiano.´´

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 11h17

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