REUTERS/Juan Medina
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Nova tentativa de Rajoy de formar governo na Espanha deve fracassar

Votação no Parlamento está prevista para a tarde desta sexta-feira, mas o premiê interino da Espanha não deve conseguir o apoio de 176 deputados necessário para governar

O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2016 | 10h40

MADRI - O líder do conservador Partido Popular (PP) da Espanha, Mariano Rajoy, não deve obter nesta sexta-feira, 2, os apoios necessários para formar um novo gabinete em uma votação que será realizada no Parlamento. Rajoy, premiê interino desde dezembro, se submeterá a uma segunda votação de posse perante o Congresso dos Deputados.

A primeira tentativa aconteceu na quarta-feira, quando, com 170 deputados, Rajoy não conseguiu superar a maioria absoluta no Parlamento, situada em 176. Se a votação desta sexta, prevista para depois das 15h em Brasília, fracassar, como se prevê, será iniciado o calendário para convocar novas eleições legislativas, que seriam as terceiras em menos de um ano.

Rajoy, apoiado pelos liberais do partido Ciudadanos, conseguiu o apoio de 170 deputados na quarta-feira frente aos 180 votos contra. Como não houve mudança no cenário político, tudo leva a crer que este resultado voltará a se repetir nesta sexta. O debate será breve: uma discurso de Rajoy de dez minutos que será seguido pelas falas dos responsáveis do resto dos grupos parlamentares, de apenas cinco minutos.

A partir desta sexta, os partidos espanhóis dispõem de quase dois meses para evitar nova votação, já que em 31 de outubro serão dissolvidas as Cortes para realizar terceiras eleições em 25 de dezembro, dia do Natal.

No entanto, o porta-voz do PP, Rafael Hernando, prometeu que o governo "tomará medidas" para, em caso de novas eleições, encurtar a campanha e assim evitar que os espanhóis tenham que votar no data prevista.

Contexto. Rajoy necessita nesta sexta-feira somar mais 'sim' do que 'não' para que prospere sua posse como chefe de governo em uma câmara que conta com 350 deputados. Seus 170 votos fixos procedem de seu próprio partido, o PP (137); dos Ciudadanos (32), força política com a qual assinou um acordo de posse, e de uma deputada nacionalista canária.

O resto das forças do Congresso somam 180 cadeiras: 85 do PSOE (socialistas), 71 da coalizão de esquerda Unidos Podemos, e 24 de partidos nacionalistas bascos e catalães. Toda a pressão recai sobre o PSOE, liderado por Pedro Sánchez, cuja abstenção desbloquearia a situação, mas este se negou a dar seu voto a Rajoy.

No entanto, há vozes dentro do partido que pedem que seu principal órgão, o comitê federal, volte a se reunir para refletir sobre sua postura. Este comitê federal decidiu há quase dois meses seu voto contra um novo governo do PP, mas desde então se produziram novidades, como o acordo entre os conservadores e os liberais, que conseguiram essas 170 cadeiras, faltando apenas seis para a maioria absoluta.

Os analistas políticos consideram que se Sánchez não tiver uma alternativa para oferecer ao Parlamento, será difícil não facilitar, com uma abstenção total ou parcial, a formação de um novo governo que substitua ao atual, interino há quase 260 dias. / EFE

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