REUTERS/Lucas Jackson
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Nova York abre valas comuns para enterrar mortos por coronavírus

Cidade mais atingida nos EUA tem quase 160 mil infectados pela doença

Reuters, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 13h27

NOVA YORK — Com o aumento do número de mortes em Nova York, a cidade mais afetada pelo coronavírus nos Estados Unidos, a prefeitura passou a usar valas comuns. Capturadas por drones, imagens mostram fileiras de caixões sendo enterrados por funcionários vestidos com roupas especiais de proteção e máscaras na Ilha de Hart Island, perto do Bronx.  

O estado de Nova York registrou  aumento de 10 mil casos confirmados da covid-19 na quinta-feira, 9, chegando a 159.937, dos quais 7 mil morreram — mais casos de contaminação registrados do que qualquer país no mundo.

Em épocas normais, são realizados 25 enterros por semana na Ilha Hart, uma tarefa antes delegada a detentos. Contudo, as autoridades reconhecem que, agora, são mais de 20  todos os dias. À medida que a pandemia vai causando mais vítimas em Nova York, os enterros ali passaram de um dia por semana para cinco dias por semana.

“Durante décadas, Hart Island foi usada para enterrar pessoas que não foram reclamadas pelas famílias. Vamos continuar a usar a ilha dessa forma durante esta crise e é provável que pessoas que morreram devido à Covid-19 e que se encaixem nesta descrição sejam enterradas na ilha nas próximas semanas”, explicou à CNN o porta-voz do prefeito da cidade, Fred Godstein. “São pessoas cujos corpos, durante duas semanas, não foram reclamados por ninguém.” 

Na quinta-feira, a prefeitura de Nova York anunciou que precisará contratar funcionários para conseguir enterrar todas as vítimas.

Na Ilha de Hart, o trabalho de abrir as valas e enterrar os caixões costumava ser feito por presos da penitenciária de alta segurança de Rickers Island, mas o aumento do número de mortes obrigou as autoridades da cidade a contratar empresas especializadas.

Na quinta-feira, 9, quando completam 100 dias desde as primeiras notificações da Covid-19 à Organização Mundial da Saúde, os EUA superaram as 16 mil mortes no país, com a maior parte dos óbitos em Nova York (7 mil), Nova Jersey (1.700) e Michigan (1.000). O número de casos está perto dos 460 mil.

Segundo um modelo usado pela Casa Branca, a estimativa de mortes provocadas pelo novo coronavírus foi atualizada para 60 mil, menos do que os 82 mil do início da semana e bem abaixo dos até 200 mil óbitos, primeira estimativa anunciada pelo governo.

Os números são relativos até a primeira semana de agosto. O modelo é mantido pela Universidade de Washington.

 

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